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Funcionários da Santa Casa de Campo Grande interrompem atendimentos por falta de pagamento

Em protesto contra o atraso nos salários, trabalhadores da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande paralisaram atendimentos nesta quarta-feira. Situação se arrasta desde janeiro e afeta a rotina dos funcionários.
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Funcionários do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande decidiram, nesta quarta-feira (8), interromper parte dos atendimentos em decorrência do atraso nos salários. A manifestação contou com a presença de diversos trabalhadores que ocuparam a entrada principal da unidade, exibindo faixas e cartazes para expressar sua insatisfação.

A técnica em enfermagem Lucimar Santos, caracterizada com nariz de palhaço, destacou que a situação de atraso de pagamentos se arrasta desde janeiro. "É um desgaste psicológico e físico de você trabalhar e não poder contar com o salário na data certa", lamentou a profissional, evidenciando o impacto emocional da situação.

Por sua vez, o auxiliar de escritório Eduardo Miguel relatou a necessidade de reorganização financeira devido aos constantes atrasos. "Ficar sem receber é mais uma humilhação que a gente passa quase todo mês. Eu mesmo já estou me acostumando. Eu jogo todas as contas para ver se é para o dia 20 porque já espero que eu não vou receber mesmo", afirmou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Enfermagem de Mato Grosso do Sul, Lázaro Santana, informou que na terça-feira (7), que foi o quinto dia útil de julho e o prazo limite para o pagamento de salários, a direção do hospital comunicou que o pagamento seria atrasado devido à falta de repasses públicos. "O que nós esperamos é que haja uma organização por parte dos gestores dessa instituição antes mesmo do quinto dia útil, não deixar para a cima da hora para comunicar ao trabalhador que aqui não vai ter pagamento, não tem nem previsão de pagamento", declarou.

Santana enfatizou que a folha de pagamento do hospital depende de repasses financeiros, e que apenas um deles não é suficiente para quitar todos os salários. Em resposta à situação, a presidente da Santa Casa, Alir Terra, reiterou que a instituição depende dos repasses de três entes: União, Estado e município. Ela explicou que os recursos federais são enviados ao município, que, por sua vez, transfere para o hospital.

"Se o governo federal não manda pro município, o que o município vai fazer? Fica de mãos atadas. Até agora não apareceu no site. Se o Governo do Estado não mandar pro município, o que o município faz? Então é um processo complicado. O problema é tripartite. O problema são os dois passos de um para o outro", justificou Alir Terra, evidenciando a complexidade do processo de repasse de verbas públicas.