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Descoberta de originais de filme histórico de Campo Grande marca reviravolta na memória

Depois de quase seis décadas, pesquisa revela a existência de um dos originais de "Paralelos Trágicos". O trabalho de Rodrigo Teixeira reuniu 215 matérias e desmistificou a narrativa de que o filme havia desaparecido para sempre.
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Após 59 anos de incertezas, um dos originais do primeiro filme de ficção de Campo Grande, "Paralelos Trágicos", foi finalmente localizado. A descoberta é resultado do trabalho do jornalista e escritor Rodrigo Teixeira, que conduziu a pesquisa intitulada "Em Busca do Lendário Paralelos Trágicos". A investigação, que compila 215 matérias publicadas ao longo de seis décadas, encerra a narrativa de que o filme dos irmãos Lahdo, que custou R$ 80 milhões, teria se perdido para sempre.

Teixeira destaca que, ao contrário do que se pensava, um dos originais do longa-metragem está preservado na Cinemateca Brasileira desde 1989. No entanto, a grande surpresa foi a revelação de que Bernardo Elias Lahdo, produtor e escritor do livro que inspirou o filme, guardou a existência de um segundo material em 16 milímetros, algo que nunca havia sido questionado pela imprensa. "Nenhum jornal me perguntou e eu nunca desmenti", comentou Lahdo durante o lançamento do catálogo, realizado no auditório de Arquitetura da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

O material encontrado na Cinemateca apresenta danos significativos, impossibilitando sua reprodução. Por outro lado, o filme guardado por Bernardo ainda precisa ser avaliado para verificar se pode ser restaurado. O original de 35 milímetros foi queimado em um incêndio no Cine Acapulco em 2000, um episódio que permanece envolto em mistério, sem esclarecimentos sobre suas causas.

Teixeira explica que o catálogo digital foi criado para documentar a abrangência da divulgação do filme durante os anos de sua exibição, que ocorreu entre 1967 e 1971 em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campinas. O longa-metragem, que retrata a vida de um professor de História em meio a tragédias pessoais, foi censurado durante a ditadura militar, sendo considerado inadequado por conter cenas sensíveis, mesmo sem nudez explícita.

A trilha sonora do filme foi composta pelo maestro paraguaio Hermínio Gimenez, um dos grandes nomes da música latino-americana. O diretor francês Claude Lelouch foi convidado para assumir a direção, mas não pôde aceitar devido a problemas pessoais. Apesar das dificuldades, o filme teve um impacto social significativo, com parte da arrecadação da estreia destinada à rede feminina de combate ao câncer, ajudando a formar a estrutura inicial do hospital oncológico de Campo Grande.