A recente polêmica envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se intensificou, sendo catalisada por um vídeo que expõe um conflito familiar e político que remonta à condenação de Jair Bolsonaro (PL) em 2025. Com a impossibilidade de Jair concorrer nas eleições presidenciais, as desavenças entre os membros da família Bolsonaro se tornaram evidentes, especialmente no que diz respeito ao apoio a Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Ceará, uma decisão promovida por Flávio e lideranças do PL, incluindo Valdemar Costa Neto, e que foi rechaçada por Michelle.
Essa escolha de apoiar Ciro Gomes marcou o início de uma série de desentendimentos públicos entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro. Em dezembro de 2025, a ex-primeira-dama expressou sua desaprovação em relação à aproximação do PL com o ex-governador do Ceará. Em resposta, os quatro filhos de Jair — Flávio, Eduardo, Carlos e Jair Renan — manifestaram sua crítica ao posicionamento de Michelle, um episódio que foi crucial para consolidar Flávio como o candidato presidencial do partido, em detrimento da influência de Michelle.
Com a prisão de Jair Bolsonaro, Michelle optou por diminuir suas aparições em eventos públicos, concentrando-se nos cuidados com o marido. Enquanto isso, a situação em torno do apoio a Ciro Gomes se complica, pois o Ceará é visto como um estado estratégico para o PL, que busca quebrar a hegemonia do PT na região, que já venceu as últimas três eleições para o Governo do Ceará, sendo duas com Camilo Santana e uma com o atual governador, Elmano de Freitas.
A proposta de apoio a Ciro Gomes, no entanto, não conta com a aprovação unânime dentro do PL. Flávio e Valdemar Costa Neto são defensores dessa aliança, enquanto Michelle tem se mostrado contrária, preferindo apoiar o senador Eduardo Girão (Novo), que, em sua visão, representa melhor o eleitorado de Jair e se manteve fiel ao ex-presidente.
Valdemar Costa Neto acredita que Ciro possui o “capital político” necessário para enfrentar o PT no Ceará, em contraste com a visão de que um outro candidato poderia facilitar a reeleição de Elmano de Freitas. A relação entre os integrantes do PL e a estratégia política em Santa Catarina também se complicam. O governador Jorginho Mello (PL) busca a reeleição e já havia estabelecido um acordo com o PP para isolar o PSD de João Rodrigues, que é seu principal opositor.
Com a presença de Carlos Bolsonaro, uma aliança previamente acordada foi desfeita, resultando na exclusão de Esperidião Amin da chapa do PL ao Senado. Michelle, por sua vez, não demonstrou apoio à candidatura de Carlos, e em duas ocasiões, compartilhou em suas redes sociais conteúdos de adversários do enteado. Um episódio emblemático ocorreu quando a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) publicou uma foto editada onde Carlos foi excluído, em um almoço promovido pelo deputado federal Daniel Freitas (PL-SC) em abril. Essa série de eventos ilustra como o Ceará se tornou um pano de fundo para a crise interna que afeta o PL e a família Bolsonaro.
