O ex-presidente Michel Temer (MDB) relatou que, em um encontro realizado em 2017, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou sobre a possibilidade de o Brasil "invadir" a Venezuela. A conversa ocorreu antes da abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). Neste encontro, estavam presentes também os presidentes da Argentina, Mauricio Macri; da Colômbia, Juan Manuel Santos; e do Panamá, Juan Carlos Varela.
Temer recordou que a pergunta de Trump causou um certo constrangimento entre os líderes, que, diante da indagação, se posicionaram enfatizando que estavam adotando medidas de caráter diplomático. "Quando é que vocês vão invadir a Venezuela? Foi a 1ª pergunta que ele fez", afirmou o ex-presidente, ressaltando que a resposta foi um consenso de que a diplomacia era o caminho a ser seguido.
Nove anos após esse episódio, durante o segundo mandato de Trump, a situação na Venezuela se tornou ainda mais complexa. O presidente norte-americano, sem o apoio militar de outros países, conseguiu capturar o ditador Nicolás Maduro, que governava a nação sul-americana, resultando na formação de um governo de transição.
Essa revelação de Temer expõe não apenas a pressão internacional sobre a situação na Venezuela, mas também a postura de líderes latino-americanos frente a intervenções militares em nações vizinhas. A busca por soluções pacíficas e diplomáticas, conforme destacado por Temer, continua a ser um tema relevante nas discussões políticas da região.
O encontro de 2017 e as perguntas provocativas de Trump refletem a complexidade das relações internacionais na América Latina, especialmente em um contexto onde a estabilidade política da Venezuela tem repercussões significativas para seus países vizinhos. O papel do Brasil em eventuais intervenções na Venezuela, assim, se coloca como uma questão delicada e repleta de implicações diplomáticas.
