O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu pelo bloqueio de até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O ex-parlamentar está sendo investigado na Operação Transparência, que é conduzida pela Polícia Federal (PF) e visa apurar possíveis irregularidades na alocação de emendas de comissão, além do antigo Orçamento Secreto da Câmara.
Os investigadores da PF identificaram que o montante de R$ 6 milhões corresponde ao valor que Eduardo Cunha, mesmo após ter sido cassado em 2016 e sem ocupar cargo eletivo, destinou a 21 emendas parlamentares direcionadas a municípios de Minas Gerais. O ex-deputado, que busca retornar à Câmara Federal, é acusado de operar como um agente privado com influência política similar à dos parlamentares ativos, manipulando recursos federais sem a devida autorização institucional.
Recentemente, Eduardo Cunha se tornou o segundo político a ter bens bloqueados pela Operação Transparência nesta semana. Na última sexta-feira, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, TAMBÉM teve seus bens congelados, totalizando R$ 119 milhões após uma decisão do ministro Flávio Dino.
Na decisão que determina o bloqueio, Dino destaca que um ex-deputado cassado e potencial candidato nas próximas eleições teria utilizado os serviços de Mariângela Fialek para direcionar recursos de acordo com seus interesses, o que geraria indícios de crimes de peculato. O magistrado TAMBÉM menciona que as investigações da PF revelaram a movimentação de R$ 119.216.703,15 entre junho de 2024 e março de 2026, supostamente coordenada por Valdemar Costa Neto, mesmo sem mandato eletivo.
Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, é apontada como a responsável pela organização das planilhas e controle das cotas, além de ser a intermediária na comunicação com o Executivo. Ela foi considerada uma figura central na gestão do Orçamento Secreto durante a presidência de Arthur Lira na Câmara dos Deputados.
A defesa de Eduardo Cunha, que foi cassado em setembro de 2016 sob acusações de mentir durante a CPI da Petrobras, declarou que o ex-deputado não tem conhecimento de qualquer irregularidade relacionada às emendas. A defesa ainda ressaltou que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Cunha, rejeitando a ideia de que a interação política legítima possa ser confundida com a prática clandestina do mandato parlamentar.
