Na última quinta-feira (23), o ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu pela libertação de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira. Os três haviam sido detidos pela Polícia Federal (PF) no dia 15 deste mês durante a Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa envolvida em atividades de lavagem de dinheiro e transações ilegais que ultrapassam R$ 1,6 bilhão.
De acordo com as apurações, o grupo estaria envolvido em tráfico internacional de drogas e apostas ilegais, utilizando uma rede de empresas de fachada, laranjas, criptomoedas e transferências ilegais para o exterior. Após a operação, a PF solicitou a conversão das prisões em preventivas por um período de cinco dias, mas a Justiça de primeira instância ampliou esse prazo para 30 dias. O relator do caso no STJ considerou essa extensão ilegal, uma vez que não foi requerida pela autoridade policial.
A decisão do ministro Azulay Neto incluiu a concessão de habeas corpus a MC Ryan SP, estendendo a medida a todos os outros investigados que se encontravam em situação semelhante. A defesa de MC Ryan SP afirmou que a consequência natural da decisão foi a revogação da prisão, reconhecendo o erro no prazo estipulado para a detenção temporária.
Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP e com 25 anos, figura entre os artistas mais populares do funk brasileiro, com canções que alcançam posições de destaque nas plataformas de streaming e mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais. Durante a operação, foram apreendidos com ele veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos, além de armas e um colar que continha a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.
O delegado regional da Polícia Judiciária, Marcelo Maceiras, informou que a Operação Narcofluxo é um desdobramento da Operação Narcobet, realizada no final do ano passado. Ele destacou que a operação visa desmantelar uma estrutura de lavagem de dinheiro criada por um grupo que desenvolveu um sistema financeiro para legitimar recursos provenientes de diversas atividades criminosas, como tráfico de drogas e operações ilegais de apostas e rifas online.
As investigações revelaram que os envolvidos utilizavam métodos para ocultar e dissimular valores, incluindo transações financeiras de alto volume, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptoativos. O esquema contava com a participação de pessoas influentes para promover as empresas de apostas e rifas ilegais, facilitando a movimentação de recursos sem despertar a atenção das autoridades.

