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Conflito entre indígenas e Polícia Militar resulta em despejo em Amambai

Uma ação de retomada na Fazenda Limoeiro, em Amambai, culminou em um confronto entre a Polícia Militar e cerca de 80 famílias indígenas, resultando em despejo e danos à propriedade. A PM alega invasão e vandalismo, enquanto os indígenas denunciam violação de direitos.
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Uma nova tensão entre os povos indígenas e a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul se desenrolou na Fazenda Limoeiro, localizada no município de Amambai. A operação, que ocorreu na madrugada de sábado, resultou na retirada de indígenas da propriedade, após a polícia considerar a ação como uma invasão. A PM, por meio de uma nota oficial, informou que a intervenção foi necessária devido a um grupo de cerca de 20 indígenas que teria invadido e causado danos à propriedade rural.

De acordo com a versão da Polícia Militar, a ocupação da Fazenda Limoeiro começou por volta das 23h20 e levou a família residente a deixar a casa rapidamente para garantir sua segurança. A nota menciona que os invasores danificaram a estrutura da residência, além de tentativas de vandalismo em veículos e maquinários. A PM também relatou que diversos objetos, como eletrônicos e joias, foram encontrados separados e embalados para transporte durante a saída dos indígenas.

A polícia ainda destacou que três indivíduos foram registrados obstruindo o trânsito na rodovia que liga a propriedade à aldeia, utilizando placas e pedaços de madeira para atacar motoristas. Como resultado, a PM mobilizou guarnições para apoiar as vítimas e evitar novos episódios de violência, levando à detenção desses três indivíduos envolvidos na ação.

Por outro lado, a versão dos indígenas, divulgada pela Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), afirma que aproximadamente 80 famílias estavam realizando a retomada da terra, considerando a ação da polícia como uma intimidação inaceitável. Os representantes indígenas alegaram que a operação ocorreu em um espaço que deveria ser de proteção e dignidade, enfatizando a necessidade de visibilidade e a urgência de providências para assegurar a integridade dos Guarani Kaiowá em suas terras.

A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia de Polícia Civil, onde será feita a identificação dos responsáveis e a apuração das responsabilidades criminais relacionadas aos danos e à invasão. A PM informou que o policiamento permanecerá na região para evitar novos conflitos e garantir a preservação da área para investigações futuras, em um contexto que historicamente já gerou tensão entre as partes envolvidas.

A Polícia Militar reafirmou seu compromisso em proteger os cidadãos e o patrimônio, destacando a importância de atuar de forma técnica e rigorosa para assegurar o direito à propriedade e a paz no campo, conforme mencionado na nota oficial.