A atual situação do Senado tem gerado reflexões profundas em quem dedicou grande parte da vida a essa Casa. Com 40 anos de experiência em mandatos eletivos, sou o político que mais tempo exerceu essa função durante a República. Se considerarmos o Senado do Império, onde os mandatos eram vitalícios, empato com figuras como o Visconde de Suassuna, que atuou de 1840 a 1880, e Francisco de Paula Cavalcanti, ambos senadores por 40 anos. O Marquês de Muritiba também teve uma longa carreira, ocupando o cargo por 38 anos.
No total, exerci mandatos eletivos por 61 anos, incluindo 5 anos como Presidente da República, 40 anos como Senador, 12 anos como Deputado Federal desde 1955 e 4 anos e 6 meses como governador do Maranhão. Um episódio emblemático no Senado do Império é lembrado: o Marquês de Abrantes, ciente de que os senadores só perdiam o cargo por morte, certa vez disse em uma discussão no plenário que “Nada de brigas, lembremos que temos que viver juntos a vida inteira.”
Entretanto, mesmo personalidades como o Duque de Caxias, conhecido por sua paciência, não hesitaram em defender sua honra em momentos de provocação. Este episódio é frequentemente citado como um exemplo de como até os mais respeitados podem perder a calma.
Durante minha gestão no IPEAC, conseguimos realizar 2.914 trabalhos especializados nos dois primeiros anos, e em 1973, esse número aumentou para 7.669 contribuições ao Legislativo. A intenção era implantar uma abordagem que fosse além da contribuição individual, oferecendo suporte técnico às atividades da Instituição e transformando o Senado em um fórum de debates.
Dessa iniciativa, nasceu o quadro de Consultores do Senado Federal, que se tornou uma referência no Serviço Público brasileiro, sendo o concurso para essas posições um dos mais rigorosos do país. Essa Casa legislativa se destacou como um celeiro de grandes homens públicos, exemplares em civismo e na construção de instituições fundamentais para a formação da nacionalidade.
Ao longo do tempo, promovemos diversas inovações na área de informática, como o Siga Brasil, a Ouvidoria, a Página de Consolidação Temática, o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria, além de iniciativas voltadas para a transparência, como a TV Senado, o Jornal do Senado, a Agência Senado, o Alô Senado e o Data Senado, que visam atender milhões de brasileiros.
