As empresas que compõem o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, vivenciam um dos momentos mais críticos de sua história de 75 anos. Na terça-feira, dia 16, a Prefeitura anunciou a intervenção na gestão do consórcio, interrompendo sua operação, que tinha início em 1951. Essa medida foi impulsionada por uma série de problemas, incluindo má administração financeira, dependência de recursos públicos e a deterioração da qualidade da frota.
A Viação Cidade Morena, que se destaca como uma das fundadoras do sistema de transporte na cidade, já havia encerrado suas atividades em 2024, um sinal claro da crise enfrentada pelo consórcio. Fundada em 1951 como Empresa de Transporte Coletivo Amambai, a Cidade Morena passou por várias mudanças ao longo das décadas, enquanto outras empresas, como a Viação São Francisco, também contribuíram para a evolução do transporte público desde sua fundação em 1960.
A partir da década de 1990, o sistema de transporte coletivo passou por transformações significativas, culminando na criação de um Sistema Integrado. Entretanto, essa mudança não foi suficiente para evitar a deterioração dos serviços prestados. A situação se agravou com a saída de empresas do consórcio e a necessidade de intervenção.
Em 17 de dezembro de 2026, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou que a Prefeitura deveria realizar a intervenção em um prazo de 30 dias. A Prefeitura contestou a ordem, argumentando que era necessário realizar uma apuração antes da intervenção. Após concordância do magistrado, foi criado um grupo de trabalho em 6 de março de 2026 para investigar a situação do Consórcio Guaicurus.
No dia 8 de junho de 2026, a comissão responsável pela análise recomendou a intervenção, que foi oficialmente decretada pela prefeita Adriane Lopes oito dias depois. A partir desse momento, uma junta interventora foi nomeada para gerir o serviço e investigar as irregularidades apontadas no funcionamento do consórcio. Essa intervenção representa um marco na história do transporte coletivo em Campo Grande, evidenciando a necessidade de reestruturação e melhorias no setor.
A crise que atinge o Consórcio Guaicurus levanta questões sobre a sustentabilidade do transporte coletivo na cidade e a responsabilidade das empresas em oferecer um serviço de qualidade à população. O futuro do sistema de transporte urbano em Campo Grande agora depende das ações que serão tomadas pela nova administração interventora e das respostas que a sociedade espera em relação à qualidade e confiabilidade dos serviços prestados.
