O deputado Júnior Mochi, do MDB, apresentou uma proposta para que a SED (Secretaria de Estado de Educação) implemente a identificação de alunos autistas por meio de um símbolo no uniforme escolar. O objetivo é promover um manejo mais humanizado em situações que possam gerar constrangimento a essas crianças e adolescentes. Entretanto, essa iniciativa gerou discussões entre especialistas e mães de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que alertam sobre os riscos de estigmatização e a necessidade de priorizar a formação educacional deste grupo.
A psicóloga Karolaine Deleprani, que se especializa em intervenções para autismo e deficiência intelectual, expressou preocupações sobre a proposta. Ela argumenta que a identificação visível pode acabar rotulando os alunos, ao invés de apenas facilitar o reconhecimento de suas necessidades. "A proposta parte de uma intenção bacana, que é garantir que alunos autistas recebam apoio e compreensão dentro do ambiente escolar. No entanto, a exposição do diagnóstico pode reforçar preconceitos e fazer com que o aluno seja visto apenas por essa característica, em detrimento de suas individualidades", afirmou a psicóloga.
Karolaine também enfatizou que o verdadeiro desafio nas escolas não é identificar quais alunos têm TEA, uma vez que isso geralmente já é conhecido por professores e equipes pedagógicas. O que falta, segundo ela, é uma formação adequada que permita aos educadores compreender e atender às necessidades específicas desses alunos, realizando as adaptações necessárias e gerenciando o cotidiano escolar de maneira eficaz.
A visão da especialista é apoiada por Jéssica Cariaga, mãe de duas crianças autistas, que destaca a importância de atender as prioridades educacionais antes de implementar a identificação nos uniformes. Jéssica relata que muitos estabelecimentos enfrentam problemas estruturais e que professores de apoio muitas vezes têm que lidar com múltiplas crianças ao mesmo tempo, o que dificulta a inclusão efetiva.
"Temos escolas sem estruturas físicas adequadas e professores que não recebem o suporte necessário. Antes de pensar em identificações, devemos garantir um ambiente educacional que realmente promova a inclusão em sala de aula, proporcionando a estrutura necessária para alunos e professores", ressaltou Jéssica.
O deputado Júnior Mochi esclareceu que a implementação do selo depende da autorização das famílias, afirmando que a proposta foi encaminhada como uma indicação para evitar vícios de iniciativa. "Quando há concordância com os pais, a identificação é feita. Isso ajuda a respeitar as necessidades dos alunos autistas, especialmente em relação a dificuldades sensoriais, permitindo um tratamento mais adequado para melhorar a qualidade de vida desses estudantes", declarou o parlamentar.
