A partir de segunda-feira, 27, a Prefeitura de Dourados dará início a uma campanha de vacinação destinada a imunizar aproximadamente 43 mil habitantes contra a chikungunya. Este município é considerado o epicentro da arbovirose em Mato Grosso do Sul, com oito mortes registradas, representando 13 das 20 ocorrências fatais em todo o Brasil.
A estratégia de imunização seguirá as diretrizes do Ministério da Saúde e será aplicada em indivíduos com idades entre 18 e 59 anos. O objetivo é vacinar pelo menos 27% do público-alvo. Na última sexta-feira, a administração municipal anunciou a contratação temporária de médicos e enfermeiros para apoiar a campanha. O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, revelou que o esquema vacinal foi divulgado na segunda-feira, 20, como parte das ações emergenciais diante da epidemia, que levou à declaração de calamidade em Saúde Pública no município.
Profissionais da saúde que atuarão na campanha participaram de uma capacitação técnica nos dias 22 e 23 de abril. Essa preparação foi considerada essencial devido às contraindicações do imunizante, exigindo uma avaliação cuidadosa de cada paciente antes da aplicação. Figueiredo enfatizou que o processo de vacinação será mais lento, pois o público-alvo passará por um processo de triagem antes de receber a vacina.
As primeiras doses do imunizante chegaram ao município no dia 17, e a distribuição para as unidades de saúde, incluindo a rede indígena, ocorreu na última sexta-feira, 24. Além disso, no feriado de 1º de maio, a prefeitura programou uma ação especial em formato drive-thru, que ocorrerá das 8h às 12h no pátio da sede administrativa.
O imunizante contra a chikungunya foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan e recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. Uma das preocupações centrais das autoridades de saúde é o número de óbitos, sendo que sete das vítimas eram residentes na Reserva Indígena Jaguapiru e Bororó. Esses dados ressaltam a gravidade da epidemia e o impacto desproporcional nas populações mais vulneráveis, além de aumentar a pressão sobre a rede de saúde local.
De acordo com o boletim mais recente do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), Dourados contabiliza 4.972 casos prováveis de chikungunya, dos quais 2.074 foram confirmados, 1.212 descartados e 2.900 permanecem em investigação.

