Cerca de 18 milhões de famílias brasileiras foram atendidas por programas sociais do governo em 2025, totalizando 22,7% dos domicílios, de acordo com informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (8). Este percentual representa uma diminuição em relação ao ano anterior, quando 23,6% das residências recebiam auxílio. Apesar da queda, o índice permanece acima do que foi observado no período pré-pandemia de covid-19, em que apenas 17,9% das famílias eram beneficiadas por programas sociais. Em seis anos, isso significa a inclusão de cerca de 5,5 milhões de lares no sistema de assistência social.
O levantamento do IBGE revela que o maior número de famílias beneficiadas ocorreu em 2020, durante o primeiro ano da pandemia, quando 31,4% dos domicílios brasileiros, ou 22,2 milhões de famílias, receberam algum tipo de auxílio. Desde então, a proporção tem apresentado uma redução gradual, mas ainda assim se mantém acima dos níveis pré-pandemia. Os dados dos últimos anos são os seguintes: 2019: 17,9%; 2020: 31,4%; 2021: 25%; 2022: 20,7%; 2023: 23%; 2024: 23,6%; 2025: 22,7%.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, explica que a diminuição no número de domicílios que recebem benefícios sociais em 2025 está relacionada ao aquecimento do mercado de trabalho. O aumento na renda dos trabalhadores pode ter reduzido a necessidade de parte da população em buscar auxílio governamental. Além disso, o analista destaca que o nível de desemprego em 2025 alcançou a menor taxa desde o início da série histórica do IBGE, que começou em 2012.
Os programas sociais considerados para a pesquisa incluem o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de baixa renda. A análise regional dos dados revela desigualdades significativas na distribuição dos benefícios. O Nordeste foi a região com a maior proporção de lares beneficiados em 2025, com 39,8% das famílias recebendo algum auxílio governamental, o que equivale a quatro em cada dez lares.
No Norte, 38,8% das famílias estavam em situação semelhante. Por outro lado, as menores taxas de beneficiados foram registradas nas regiões Sul (10,8%), Sudeste (14,8%) e Centro-Oeste (17%). Especificamente em relação ao Bolsa Família, os estados do Norte e Nordeste se destacam pela alta dependência do programa. As dez unidades da Federação com as maiores proporções de domicílios atendidos são: Pará (46,1%), Maranhão (45,6%), Piauí (45,3%), Alagoas (41,7%), Amazonas (40,8%), Ceará (40,3%), Paraíba (40,2%), Bahia (38,7%), Acre (38,6%) e Pernambuco (37,6%).
