Ricardo Ayache, presidente da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems), abordou o recente aumento de 1.185% na contribuição fixa dos cônjuges dos beneficiários, anunciado no dia 14 de maio. A medida gerou polêmica e críticas por parte de beneficiários e sindicatos, que questionam a necessidade de um aumento tão expressivo em um único momento. Segundo a Cassems, essa decisão foi tomada após estudos técnicos que indicaram um desequilíbrio significativo no modelo de custeio do grupo de cônjuges.
Em termos financeiros, a Cassems revelou que a arrecadação do grupo de cônjuges foi de aproximadamente R$ 61 milhões nos últimos 12 meses, enquanto as despesas assistenciais superaram R$ 250 milhões, resultando em um déficit de R$ 189 milhões. Ayache esclareceu que, mesmo diante das críticas, a instituição está avaliando a situação e considerando se irá reverter ou modificar a política de cobrança, que atualmente prevê um reajuste de R$ 415 na taxa.
O presidente também comentou sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pela Cassems, destacando que, nos últimos anos, houve um crescimento expressivo das despesas assistenciais, especialmente após a pandemia. No último ano, a entidade registrou um déficit contábil de R$ 24 milhões. A análise dos grupos de beneficiários revelou distorções entre receita e despesa, sendo o grupo de cônjuges o mais impactado, com um déficit projetado de R$ 189 milhões para 2025.
Ayache atribuiu parte do aumento nas despesas a fatores como a inflação na saúde, que tem se mostrado superior à inflação geral, que ficou entre 4% e 5%. Nos últimos anos, a inflação na área da saúde variou entre 12% e 15%, resultando em altos custos assistenciais. O envelhecimento da população, novos tratamentos em oncologia e reumatologia, além de diagnósticos mais precisos para transtornos de espectro autista, têm contribuído para esse cenário.
Ricardo Ayache possui formação em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e especialização em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Com um MBA em Gestão Empresarial em Cooperativas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele atua como presidente da Cassems desde junho de 2010, após ter exercido o cargo de diretor de Assistência à Saúde da instituição de 2001 a 2010. As recentes declarações de Ayache refletem a preocupação da Cassems em encontrar um equilíbrio financeiro enquanto busca atender às demandas dos seus beneficiários.
