ANUNCIE AQUI TOPO

Auditoria pode abrir caminho para a venda do Consórcio Guaicurus em Campo Grande

O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, se submete a uma auditoria externa, que pode ser o primeiro passo para sua venda. A concessionária, embora tenha confirmado a auditoria, nega que esteja relacionada a um processo de compra ou venda.
02-0526-0055-onibus-go

O Consórcio Guaicurus, que opera o transporte coletivo em Campo Grande, está passando por uma auditoria externa. Essa ação, conforme informações extraídas, pode ser considerada o primeiro passo para uma potencial venda da empresa a um grupo de fora de Mato Grosso do Sul. A concessionária confirmou a realização da auditoria, mas refutou a possibilidade de que a ação esteja vinculada a uma negociação de compra ou venda.

De acordo com apurações, a consultoria responsável pela análise das contas do Consórcio Guaicurus é oriunda de Goiás, local que abriga o suposto interessado na aquisição do grupo. Em nota, a empresa esclareceu que as auditorias são de natureza sistêmica e periódica, e que fazem parte das exigências editalícias e contratuais, sendo uma prática comum na fiscalização do serviço prestado.

Ainda segundo as informações obtidas, os integrantes do Consórcio Guaicurus assinaram um termo de confidencialidade, conhecido como non-disclosure agreement (NDA). A empresa reiterou que não há qualquer movimentação em direção a um processo de compra ou venda, enfatizando que, por força legal e contratual, qualquer mudança dessa natureza demandaria a anuência prévia do poder público municipal.

O Consórcio Guaicurus é gerido pela família Constantino, que também possui concessões em outros estados do Brasil. Nos últimos anos, as empresas que compõem o consórcio, como Jaguar, Viação São Francisco, Viação Cidade Morena e Viação Campo Grande, têm manifestado insatisfação em relação à administração da concessão, especialmente após os impactos da pandemia de Covid-19, que acarretou uma queda significativa no número de passageiros.

A situação se agravou com uma auditoria contábil realizada pelo Instituto Brasileiro de Estudos Científicos (Ibec), que, em um processo que visava o aumento da tarifa do transporte coletivo, apontou que o Consórcio Guaicurus teria direito a uma indenização de R$ 377.031.572,22. Além disso, a 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande instaurou um procedimento administrativo para investigar um suposto descumprimento contratual por parte do consórcio.

Esse procedimento visa subsidiar uma eventual intervenção na concessão do transporte coletivo, garantindo os princípios da ampla defesa e do contraditório à concessionária. O decreto que estabelece essa investigação não implica, neste momento, a decretação de intervenção, mas representa uma medida preliminar para avaliar a necessidade da ação extrema. O prazo inicial para a entrega do relatório era de 60 dias, mas uma edição extra do Diário Oficial de Campo Grande prorrogou esse prazo por mais 30 dias, com a nova data limite de entrega marcada para 8 de junho.