Em Campo Grande, a relação entre mãe e filha transcende o vínculo familiar, transformando-se em uma rede de apoio e fonte de sustento. Gisele Mendonza, de 39 anos, e sua mãe, Vera Lúcia Mendonza Veiga, de 58 anos, têm chamado a atenção nas redes sociais ao compartilhar sua rotina em vídeos que misturam leveza, humor e significados profundos. Por trás do conteúdo que viraliza, está uma história real e desafiadora.
Gisele é mãe solo de Carlinhos, que nasceu extremamente prematuro, aos cinco meses de gestação. As consequências desse nascimento incluíram deficiência visual, com perda total da visão de um olho e baixa visão no outro, além de microcefalia e atraso global no desenvolvimento. Diante desse cenário, surgiu o projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, que já beneficia mais de 60 mulheres, criando uma rede de acolhimento para aquelas que enfrentam realidades semelhantes. Os encontros são realizados mensalmente na casa de Gisele, localizada no bairro Pioneiros, e contam com café da manhã, rodas de conversa e, quando possível, serviços de beleza.
A iniciativa visa resgatar a autoestima e a identidade das participantes. Além dos encontros presenciais, Gisele expande a discussão sobre maternidade atípica por meio do podcast “Pogicast Gisele Mendonza”. No programa, ela fala abertamente sobre os desafios da maternidade, trazendo relatos e experiências de outras mães, sempre sem filtros e sem romantização.
O trabalho de Gisele não começou do zero. Vera Lúcia, empreendedora na área da beleza, sempre esteve envolvida em ações sociais, criando os filhos sozinha e estabelecendo uma base sólida que hoje fundamenta o trabalho da filha. Desde cedo, Gisele observou a mãe ajudando outras pessoas, o que a inspirou a seguir o mesmo caminho.
A dinâmica familiar mudou com a maternidade. Até os 35 anos, Gisele estava sob a proteção constante da mãe, mas com o nascimento de Carlinhos, ela teve que assumir novas responsabilidades. Ambas trabalham em conjunto, tomando decisões e aprendendo com os erros, agora também compartilhando essa experiência nas redes sociais. "A minha mãe é minha rede de apoio. É meu alicerce. É tudo para mim", afirma Gisele.
O impacto da iniciativa vai além do que as mães recebem. Gisele destaca que o contato com outras mães a fortalece. "Muitas delas me agradecem, mas não imaginam o quanto fizeram por mim. Elas me deram força, me ajudaram a encontrar paz e a conhecer outras histórias. Eu aprendi muito com elas", conclui.
