A equipe interventora responsável pelo transporte público de Campo Grande contestou a cobrança de R$ 27 milhões realizada pelo Consórcio Guaicurus à Prefeitura. O interventor-geral, Alexsandro Adriano Lisandro de Oliveira, afirmou que "não existe crédito algum" e que os valores apresentados pelo consórcio são considerados como meras expectativas.
De acordo com o interventor, a cobrança refere-se à diferença entre a tarifa paga pelos passageiros e o custo real do serviço, que é subsídio coberto pelo poder público. A notificação formal, uma interpelação extrajudicial, foi enviada pela concessionária, porém Alexsandro ressaltou que os R$ 27 milhões constituem um valor unilateralmente apresentado e sem comprovação documental.
O primeiro relatório preliminar da comissão interventora, apresentado à Câmara Municipal, identificou aproximadamente R$ 20 milhões em dívidas vencidas da concessionária. Esse montante é composto por cerca de R$ 14,86 milhões em débitos bancários e mais de R$ 4,23 milhões em dívidas com fornecedores, incluindo empresas de combustível e financiamentos em atraso.
Além das questões financeiras, Alexsandro também apontou fragilidades operacionais na frota de ônibus, que inclui cerca de 190 veículos com mais de 10 anos de uso, e problemas na gestão da concessão, evidenciados por atrasos no pagamento de tributos desde 2014. A prioridade inicial da intervenção foi garantir a continuidade do transporte sem interrupções.
Embora a possibilidade de caducidade do contrato tenha sido mencionada, o interventor afirmou que ainda não existem elementos suficientes para recomendar tal medida. Neste momento, o foco da intervenção é a produção de um diagnóstico mais aprofundado da situação.
Sobre a interpelação extrajudicial mencionada pelo Consórcio, Alexsandro informou que ainda não a recebeu, mas se comprometeu a respondê-la formalmente assim que a documentação chegar.
