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Lançamento do livro ‘Suicígena’ aborda a questão do suicídio indígena em Mato Grosso do Sul

Na próxima terça-feira (9), Américo Calheiros apresenta sua obra 'Suicígena', que reúne poemas sobre o suicídio indígena e as condições de vida das comunidades em Mato Grosso do Sul. O evento será na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
Américo Calheiros — Foto: Américo Calheiros - Foto: Raquel de Souza
Américo Calheiros — Foto: Américo Calheiros - Foto: Raquel de Souza

O poeta e escritor Américo Calheiros lançará seu novo livro, intitulado "Suicígena", na próxima terça-feira, dia 9, a partir das 19 horas, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, localizada na Rua 14 de Julho, 4.653, Altos do São Francisco. A obra traz à tona um tema de extrema relevância no contexto dos conflitos por terra em Mato Grosso do Sul: o suicídio entre os Povos Indígenas.

A obra é composta por poemas que refletem sobre o suicídio indígena, um problema alarmante que, segundo o Relatório de Violência contra Povos Indígenas no Brasil do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou uma média de 24 casos a cada 100 mil habitantes indígenas em 2022. Este índice é três vezes superior à taxa de suicídio da população geral brasileira, que foi de oito por 100 mil habitantes no mesmo ano, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

"Suicígena" é um neologismo criado por Calheiros, que combina as palavras suicídio e indígena, capturando a essência da obra. O autor destaca que a ideia surgiu ao tomar conhecimento, por meio da mídia, das altas taxas de suicídio e das precárias condições de vida enfrentadas pelos indígenas. "A perda da vontade de viver das populações indígenas é um tema que não pode ser ignorado", afirma Calheiros.

O livro não apenas aborda o suicídio, mas também explora a cultura indígena. Esta é a primeira vez que Calheiros escreve sobre essa temática, enfatizando a necessidade de que ela ganhe visibilidade nas agendas social, educacional, cultural e política. Ele menciona que a população indígena, ao longo da história, foi alvo de discriminação e genocídios, o que intensifica a urgência de sua voz ser ouvida.

A escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, que apresentará a obra, ressalta que a poesia de Calheiros é incisiva e não busca consolo fácil. Ela descreve a obra como uma expressão da dor e do luto dos indígenas que, ao serem despojados de suas terras e dignidade, veem na morte uma saída. "O poeta transforma em palavras o sofrimento que muitos preferem ignorar", completa Bernadelli.

O evento de lançamento de "Suicígena" é gratuito e aberto ao público, proporcionando uma oportunidade para discutir uma questão crítica que afeta as comunidades indígenas no Brasil. Calheiros espera que sua poesia contribua para dar voz a essas populações, que têm muito a dizer sobre suas realidades e necessidades.