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Caminhada em São Paulo destaca luta de mulheres lésbicas e bissexuais contra a violência

No último sábado (6), a 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais reuniu diversos coletivos Em São Paulo, chamando a atenção para a violência específica enfrentada por essas mulheres. O evento também homenageou Luana Barbosa dos Reis, vítima de violência policial.
marcha

No dia 6 de outubro, a cidade de São Paulo foi palco da 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, um evento que reuniu uma variedade de organizações e coletivos que buscam fortalecer as reivindicações em relação à violência que essas mulheres enfrentam. Entre os grupos envolvidos estavam a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, e a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL). O protesto deste ano teve como um dos principais enfoques o décimo aniversário do assassinato de Luana Barbosa dos Reis, uma jovem lésbica, negra e periférica, que foi brutalmente morta aos 34 anos devido à letalidade policial.

Luana foi abordada em Ribeirão Preto (SP) por dois policiais militares e, ao se recusar a ser revistada por agentes do gênero masculino, foi espancada até a morte. O caso ocorreu em 13 de abril de 2016 e, até o momento, os responsáveis não foram punidos. A irmã de Luana, Roseli dos Reis, participou do ato e expressou sua indignação em um discurso, clamando por justiça e lembrando que o tempo tem passado sem respostas. "Quero justiça, precisamos da justiça. Mas, ao mesmo tempo, a gente só queria viver nosso luto, queria chorar, dedicar a ela uma homenagem, um jantar, uma comemoração a tudo que a gente viveu com ela. Mas não tem isso, porque a gente ainda está na luta por justiça. Dez anos se passaram. Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta", afirmou Roseli.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em reconhecimento à luta das mulheres homossexuais e ao enfrentamento do lesbocídio e da lesbofobia, instituiu uma premiação com o nome de Luana Barbosa, como forma de dar visibilidade a iniciativas voltadas para a causa. O evento Em São Paulo não só homenageou Luana, mas também buscou desviar-se de grandes financiadores, reafirmando a resistência e a luta das mulheres lésbicas e bissexuais contra a violência.

Durante a caminhada, as participantes levantaram bandeiras em defesa dos direitos LGBTQIA, denunciando a lesbofobia e a bifobia que ainda persistem na sociedade. O ato também serviu como um espaço de acolhimento, onde muitas mulheres compartilharam suas histórias de luta e superação em um ambiente que busca promover a visibilidade e a empatia.

Thais Souza, uma das participantes, ressaltou a importância do apoio familiar na aceitação da sua sexualidade. Em seu relato, ela comentou sobre os desafios enfrentados inicialmente, mas destacou a mudança de perspectiva de sua família ao perceber que a sexualidade não define o valor de uma pessoa. "Hoje minha família super me respeita, é superorgulhosa em relação a mim, acho que pela pessoa que me tornei", disse Thais, enfatizando que isso representa uma mudança significativa em relação ao preconceito enraizado que muitas vezes afeta a relação entre as pessoas LGBTQIA e suas famílias.