O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Lincoln Gakiya, expressou sua opinião sobre a recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em entrevista à Rádio Nacional, ele destacou que essa medida não traz benefícios para o Brasil neste momento.
Gakiya argumentou que, embora Os Estados Unidos tenham rotulado organizações criminosas de outros países, como as do México e da Venezuela, isso não resultou na diminuição do poder dessas facções, que continuam a operar dentro do território estadunidense. "Não vejo, em que pese as pessoas estarem defendendo isso por uma politização do tema, o que pragmaticamente isso vai beneficiar", afirmou.
Durante a entrevista, que ocorreu na manhã de sexta-feira (29), o promotor ressaltou que a classificação pode prejudicar a colaboração entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas. Ele explicou que a atuação da CIA (Central de Inteligência dos EUA) e dos militares pode complicar a cooperação já existente, uma vez que não se restringe apenas ao FBI e à DEA (Drug Enforcement Administration).
A nova designação, anunciada na noite de quinta-feira (28), implica que as facções brasileiras podem ser alvo de ações mais rigorosas por parte dos Estados Unidos, como intervenções militares e sanções econômicas. Gakiya observou que, para um grupo ser considerado terrorista pela ONU (Organização das Nações Unidas), é necessário que suas ações tenham uma motivação ideológica ou política, o que não se aplica ao PCC e ao CV.
Ele também mencionou que essa mudança pode abrir espaço para operações secretas dos EUA em solo brasileiro, sem a necessidade de consentimento do governo local. Gakiya citou exemplos de ações militares em outros países, como na Venezuela e no México, onde a tentativa de capturar líderes de cartéis resultou em sérios danos colaterais à população civil.
Embora o promotor tenha reconhecido que uma invasão militar dos Estados Unidos no Brasil é improvável devido a tratados e acordos comerciais existentes, ele enfatizou a necessidade de aprimorar os acordos de cooperação nas investigações. Gakiya defendeu a criação de forças-tarefas conjuntas entre os dois países, o que poderia facilitar o combate às facções criminosas por meio de recursos financeiros, treinamento e tecnologia.
