Durante a quietude da noite, muitas pessoas podem se deparar com sons inusitados dentro de casa, como estalos que ecoam em diferentes cômodos. Esses barulhos, que surgem principalmente quando o silêncio se instala, podem ser atribuídos a eletrodomésticos e móveis, que se expandem e contraem devido às variações de temperatura. A percepção desses sons pode ser mais aguda à noite, quando os outros ruídos do dia não estão presentes.
Um relato curioso vem à mente sobre uma experiência familiar, em que a mãe do narrador recorda sua juventude em um casarão antigo, conhecido por ser assombrado. Nessa casa, barulhos estranhos eram comuns, e a família frequentemente se cobria com cobertores, temendo o que poderia estar por trás dos sons. Em uma dessas noites, a mãe decidiu enfrentar o medo e, ao abrir a porta de um quarto vazio, encontrou apenas um besouro, desmistificando a ideia de fantasmas.
A narrativa sugere que os estalos noturnos são, na verdade, fenômenos naturais, e não assombrações. O autor imagina que, em um horário específico da madrugada, os eletrodomésticos possam se reunir em uma espécie de reunião na cozinha, criando uma atmosfera lúdica, como se objetos inanimados estivessem se divertindo. A televisão e o micro-ondas, por exemplo, poderiam estar em um jogo de paquera.
Essas reflexões levam a uma compreensão mais leve e bem-humorada dos sons noturnos que habitam as casas. As explicações lógicas para esses barulhos são válidas, mas também se mesclam com a imaginação, que pode ser influenciada por histórias como a de Toy Story, onde objetos ganham vida. A relação entre o cotidiano e a fantasia se entrelaça, proporcionando ao narrador uma maneira de lidar com o desconforto gerado pelos estalos.
Rodrigo Alves de Carvalho, jornalista, escritor e poeta, tem uma trajetória literária que inclui prêmios e contribuições para diversas coletâneas. Em 2018, lançou “Contos Colhidos”, uma coletânea que explora o realismo fantástico e o humor. Mais recentemente, em 2024, publicou “Jacutinga em Versos e Lembranças”, que remete às suas memórias de infância na cidade de Jacutinga, localizada no sul de Minas Gerais. Essas obras refletem sua habilidade em entrelaçar narrativas cotidianas com elementos de imaginação e fantasia.
