Campo Grande continua a mostrar um desempenho econômico positivo, superando a média nacional, mesmo diante de um cenário marcado por juros altos e crédito mais caro. O crescimento da cidade é sustentado pela expansão do setor de serviços, pela criação de empregos e pelo aumento nas exportações, conforme revelado na 53ª edição do Boletim Econômico da Prefeitura, elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades). Para 2026, a estimativa é de um avanço de aproximadamente 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) local.
O resultado é considerado favorável, especialmente em um contexto econômico restritivo, no qual setores que dependem de financiamento, como o comércio de bens duráveis, enfrentam desafios. Enquanto diversas áreas da economia nacional apresentam desaceleração, Campo Grande se destaca pela força do setor de serviços, que permanece como o principal motor da atividade econômica na região. O boletim mostra que a recuperação econômica teve início gradual no segundo semestre de 2025, embora o comércio ainda enfrente uma retomada lenta e a indústria esteja sob pressão, especialmente devido ao desempenho negativo do setor de refino de petróleo e biocombustíveis.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, os dados reforçam a tendência de aquecimento econômico na cidade. Somente em março, Campo Grande registrou a criação de 1.428 novas vagas formais, com um saldo positivo em todos os setores da economia. No acumulado de 2026, já foram gerados 2.999 novos empregos, impulsionados principalmente pela construção civil e pelo setor de serviços. A Capital também se destaca entre as cidades brasileiras com a menor taxa de desemprego, que atualmente é de 3,1%, indicando uma melhora na ocupação e um fortalecimento da atividade econômica.
Ademar Silva Junior, secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, ressaltou que a diversificação econômica tem contribuído para o crescimento da cidade. O saldo comercial também é um ponto positivo, alcançando US$ 90,1 milhões, o maior registrado para um primeiro trimestre desde 1997. Os principais destinos das exportações são os Estados Unidos, China e Chile, enquanto as importações têm como principais origens a Bolívia, China e Argentina.
O boletim ainda destaca o avanço das relações comerciais com países da Rota de Integração Latino-Americana (RILA), com mais de 30% do comércio exterior de Campo Grande envolvendo nações do corredor sul-americano, especialmente pela importação de gás natural boliviano. Ademar Silva Junior enfatizou que esse desempenho reforça a importância estratégica da cidade no contexto regional e demonstra o impacto positivo de políticas voltadas para a melhoria do ambiente de negócios e atração de investimentos.
Apesar dos resultados animadores, o boletim alerta que a economia de Campo Grande deve permanecer atenta a fatores como juros elevados, pressões inflacionárias e instabilidades externas, que podem afetar o ritmo de crescimento ao longo de 2026.
