A escassez de mão de obra qualificada é uma realidade que afeta muitas empresas atualmente, e, nesse contexto, a experiência de profissionais com longa trajetória se torna um ativo valioso. Ao mesmo tempo em que diversas organizações enfrentam dificuldades para encontrar candidatos aptos, existe uma quantidade significativa de trabalhadores experientes dispostos a atuar no mercado. Essa situação evidencia a necessidade de superar barreiras relacionadas ao preconceito, especialmente em relação à idade.
A população brasileira está envelhecendo, e muitos indivíduos chegam aos 65, 70 e até 80 anos com energia e desejo de continuar contribuindo para a sociedade. No entanto, ainda existem rótulos que podem limitar as oportunidades desses profissionais. É comum a crença de que pessoas mais velhas têm dificuldades com tecnologia ou que são menos produtivas, mas essa visão não reflete a realidade do dia a dia. Profissionais mais velhos trazem consigo não apenas conhecimento, mas também a cautela necessária para decisões importantes, o que pode ser essencial em ambientes de trabalho.
Quando inseridos em contextos que promovem o aprendizado e o respeito, esses trabalhadores tendem a se destacar, mostrando-se abertos às novidades e comprometidos com suas funções. Além disso, as habilidades interpessoais, conhecidas como soft skills, são frequentemente mais desenvolvidas entre esses profissionais, resultando em um controle emocional mais eficaz e uma capacidade aprimorada de lidar com problemas e tomar decisões seguras. Essas características podem gerar um ambiente de trabalho mais saudável e com entregas mais consistentes.
Apesar das evidências que favorecem a inclusão de trabalhadores com mais de 60 anos, muitas empresas ainda se mostram inflexíveis em relação a modelos tradicionais de contratação. É fundamental que as organizações evoluam, adotando práticas que favoreçam a inclusão, como programas específicos para a contratação de profissionais mais velhos e a oferta de jornadas de trabalho flexíveis, seja em meio período ou na forma de consultoria.
Além disso, é importante cultivar uma cultura organizacional que valorize a diversidade, não apenas como uma ação social, mas como um componente estratégico. Com a aproximação do Dia do Trabalhador, é oportuno refletir sobre o real significado de valorizar cada trabalhador e o impacto do seu trabalho. Reconhecer que a idade não é um fator limitante e que o talento não tem prazo de validade é um passo essencial para construirmos um mercado de trabalho mais justo e inclusivo.
(*) Kelli Aparecida da Silva Pontes, psicóloga e pós-graduada em saúde mental, atua na Fundação João Paulo II como psicóloga clínica e organizacional.

