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Uso de canetas emagrecedoras gera preocupações sobre saúde e mercado ilegal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária discute medidas para regulamentar o uso de canetas emagrecedoras, devido ao aumento de casos de comercialização ilegal e riscos à saúde, como pancreatite.
Canetas emagrecedoras — Foto: Canetas emagrecedoras - Foto: Reprodução/iStock
Canetas emagrecedoras — Foto: Canetas emagrecedoras - Foto: Reprodução/iStock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está avaliando uma proposta de instrução normativa que estabelece requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O crescimento no uso desses medicamentos, que incluem princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, tem gerado preocupações, especialmente em relação ao comércio ilegal e à saúde pública.

As canetas emagrecedoras, que somente podem ser adquiridas com receita médica, estão sendo alvo de ações da Anvisa para coibir a venda irregular, que frequentemente inclui versões manipuladas sem a devida autorização. A agência criou grupos de trabalho para fortalecer o controle sanitário e assegurar a proteção dos pacientes.

Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), em colaboração com a Anvisa, firmaram um compromisso para promover o uso seguro e responsável das canetas emagrecedoras. O objetivo é prevenir os riscos associados a produtos e práticas irregulares, garantindo a saúde da população brasileira.

Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), destacou em entrevista que o uso dessas canetas para tratar obesidade e diabetes representa uma inovação significativa, mas o uso indiscriminado suscita preocupações. Ele enfatizou que, apesar da eficácia dos medicamentos, é fundamental que sejam utilizados de maneira controlada e sob supervisão médica.

O especialista ressaltou que é importante que os pacientes sigam algumas orientações essenciais, como utilizar produtos com registro No Brasil, obter a prescrição de um médico qualificado, adquirir os medicamentos em farmácias confiáveis e respeitar as doses recomendadas. Além disso, a compra em mercados paralelos deve ser evitada.

Dornelas também mencionou os efeitos colaterais possíveis, como náuseas, que podem ocorrer em 30% a 40% dos casos, mas que não devem ser uma regra. Ele afirmou que, na maioria das vezes, cerca de 60% a 70% dos usuários não apresentam efeitos adversos. Contudo, ele alertou que dores abdominais intensas podem indicar complicações graves, como pancreatite, e que esse sintoma deve ser considerado como um sinal de alerta para os pacientes.