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Sisep permanece sem liderança após operação do MPMS e exoneração de secretário

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, alvo da operação 'Buraco Sem Fim', está sem comando há 42 dias. A pasta continua sem secretário nomeado desde a saída de Marcelo Miglioli, que ocorreu em abril.
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A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande está sem um comando oficial há 42 dias, após a exoneração de Marcelo Miglioli, publicada no Diário Oficial do Município em 1º de abril. Desde então, Paulo Eduardo Cançado Soares, secretário-adjunto da pasta, assumiu interinamente a função. Apesar de a prefeita Adriane Lopes ter manifestado satisfação com o trabalho de Cançado em um evento no dia 30 de abril, onde anunciou investimentos de R$ 343 milhões em obras de asfalto para a Capital, a nomeação oficial ainda não foi realizada até a data da operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que ocorreu na manhã de 12 de setembro.

A operação, denominada "Buraco Sem Fim", investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos de manutenção de vias públicas. O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, cumpriu sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande. A investigação revelou que a empresa envolvida acumulou, entre 2018 e 2025, contratos e aditivos que totalizam R$ 113,7 milhões.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie em um dos imóveis investigados, além de R$ 233 mil em outro local. A Sisep, sem um titular oficial, se tornou um foco central das investigações, especialmente após a saída de Miglioli, que indicou que permaneceria disponível ao Partido Progressistas (PP) para as eleições deste ano.

Entre os alvos da operação está o ex-secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese, que atualmente preside a Agesul, ligada ao Governo do Estado. A polícia esteve em seu apartamento, localizado na Rua das Garças, no centro de Campo Grande. Outro investigado, o engenheiro Mehdi Talayeh, superintendente da Sisep, também foi preso. Ele já havia sido mencionado em uma fase anterior da operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023.

Além disso, os investigadores realizaram buscas na residência do engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, que é um dos responsáveis pelos serviços de tapa-buracos da Capital. No imóvel de Aquino, foram encontrados documentos, dinheiro e um veículo oficial da Sisep. A situação da pasta evidencia a fragilidade do comando administrativo em um momento crítico, enquanto as investigações sobre corrupção e manipulação de contratos de serviços públicos prosseguem.