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Repasse de R$ 3,8 milhões para laqueaduras em Campo Grande não é suficiente para atender demanda

Os municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas receberam R$ 3,8 milhões para realizar cerca de 700 laqueaduras, mas a fila na capital conta com mais de 3 mil mulheres aguardando pela cirurgia.
Hospital Pênfigo — Foto: Hospital Pênfigo (Léo de França - Midiamax)
Hospital Pênfigo — Foto: Hospital Pênfigo (Léo de França - Midiamax)

Os municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas foram contemplados com um repasse de R$ 3,8 milhões, destinado à realização de cirurgias de laqueadura. Este montante deverá cobrir pelo menos 2450 procedimentos voltados a mulheres de baixa renda que estão em espera nas filas reguladas pelo SISREG (Sistema Nacional de Regulação) e pelo CORE (Complexo Regulador Estadual).

O anúncio ocorreu na manhã desta segunda-feira (01), durante uma reunião de trabalho no Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande, que se prepara para realizar 700 cirurgias nos meses seguintes. Os recursos também serão utilizados em Dourados e Três Lagoas, onde se espera que sejam realizadas 1750 operações.

Everton Martin, diretor do Hospital Adventista do Pênfigo, afirmou que as cirurgias atenderão mulheres que estão na fila há bastante tempo e que, por questões financeiras, não puderam realizar o procedimento anteriormente. O hospital planeja realizar entre 25 e 30 laqueaduras por semana após o recebimento do repasse, sendo que todas as pacientes devem aguardar a convocação pelo sistema.

"Todas essas mulheres já estão na fila nos sistemas de regulação. Elas serão convocadas para passar por consultas e exames pré-operatórios antes de serem autorizadas a realizar a cirurgia. Nos últimos três meses, fizemos um mutirão que resultou em cinco cirurgias, e agora estamos nos preparando para aumentar a quantidade de laqueaduras realizadas semanalmente", explicou Martin.

O procedimento é considerado simples e consiste na realização de três incisões pequenas, onde são inseridos instrumentos cirúrgicos e uma microcâmera para fechar as trompas por meio de grampos, anéis ou cauterização. A alta hospitalar pode ocorrer no mesmo dia, dependendo do horário em que a cirurgia foi realizada. Se a operação for feita pela manhã, a paciente é liberada no início da tarde; já se for realizada à noite, a alta ocorre na manhã seguinte.

Durante a reunião, o relator do repasse, o Deputado Geraldo Resende, destacou a importância do procedimento para as mulheres que buscam evitar gestações indesejadas e planejar suas famílias. Ele ressaltou que muitas dessas mulheres pertencem a camadas sociais vulneráveis, incluindo populações ribeirinhas, indígenas e moradores de regiões periféricas. "Infelizmente, muitas mulheres de maior renda já conseguem realizar a laqueadura durante cesarianas, o que torna ainda mais crucial a assistência a essas mulheres", afirmou.