A inadimplência entre os produtores rurais de Mato Grosso do Sul alcançou um novo recorde, refletindo um cenário preocupante para o setor. De acordo com um levantamento da Serasa Experian, 8,7% dos produtores pessoas físicas estavam inadimplentes no primeiro trimestre de 2026, superando a média nacional de 8,8% e marcando um aumento de 1,4 ponto porcentual em relação ao mesmo período de 2025, quando o índice era de 7,3%. Esse crescimento interrompeu um período de estabilidade observado no ano anterior, quando a inadimplência havia aumentado apenas 0,1 ponto porcentual em comparação a 2024.
O aumento da inadimplência é atribuído a uma combinação de fatores adversos que vêm pressionando o setor agrícola. Os altos custos de produção, as oscilações nos preços das commodities e as perdas climáticas nas safras recentes têm contribuído para a deterioração da situação financeira dos produtores. Além disso, o crédito mais restrito acentua as dificuldades enfrentadas. Marcelo Pimenta, head de Agronegócio da Serasa Experian, destacou que os desafios financeiros persistem, mesmo com uma perspectiva mais otimista para alguns segmentos do agronegócio.
Os dados indicam que Mato Grosso do Sul ainda apresenta índices de inadimplência abaixo da média da Região Centro-Oeste, que registrou 10,1%. No entanto, o crescimento da inadimplência no Estado é significativo, especialmente após um período de estabilidade, e ocorre em um momento em que várias cadeias produtivas buscam recuperar sua rentabilidade. O maior percentual de inadimplência continua concentrado entre os produtores que não possuem registro formal de propriedade rural.
A percepção de risco por parte do mercado também aumentou, conforme apontado no levantamento, com o indicador de risco caindo de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026. Para enfrentar esses desafios, ferramentas baseadas em inteligência artificial, como o Agro Score, estão se tornando essenciais na concessão de crédito ao setor. Essas ferramentas ajudam a entender as particularidades de cada propriedade rural, o que é crucial para uma análise de risco mais precisa.
A metodologia utilizada pela Serasa Experian considera apenas pessoas físicas da população rural que possuem dívidas superiores a R$ 1 mil, com vencimento superior a 180 dias e que estejam relacionadas a financiamentos ou atividades do agronegócio. Essa base abrange cerca de 10,7 milhões de produtores rurais em todo o Brasil, identificados por registros de imóveis rurais, financiamentos agropecuários ou cadastro de atividade rural.
