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Projeto de digitalização resgata a história da dança em Mato Grosso do Sul

A digitalização do acervo de Sarah Abussafi Figueiró, idealizada por sua neta, busca preservar a memória da dança sul-mato-grossense e democratizar seu acesso. A iniciativa foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc e inclui diversos documentos e conteúdos audiovisuais.
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Mais de 20 anos após a doação de um acervo ao Museu da Imagem e do Som (MIS) por Sarah Abussafi Figueiró, um projeto de digitalização busca revitalizar esse patrimônio. Idealizada por sua neta, Maria Fernanda Figueiró, bailarina e produtora cultural, a iniciativa, chamada Acervo da Dança Sul-Mato-Grossense, foi apoiada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab). O projeto visa preservar e democratizar o acesso a uma coleção que representa décadas de trabalho de artistas que contribuíram para a dança como uma expressão cultural em Mato Grosso do Sul.

O acervo digitalizado inclui documentos históricos, registros administrativos da Associação Sul-Mato-Grossense dos Profissionais da Dança (ASMPD), folders de espetáculos, programas de festivais e aproximadamente 33 horas de conteúdo audiovisual, previamente armazenado em fitas VHS. Em 2023, durante a pesquisa para o espetáculo "Chafica", produzido pela Cia do Mato em homenagem à avó, Maria Fernanda se deparou com uma reportagem de 2002, que a levou a visitar o MIS e conhecer o acervo.

A visita ao museu foi transformadora Para Maria Fernanda, que ficou surpresa com a quantidade de registros e fitas VHS disponíveis. "Fiquei impressionada com a quantidade de registros, documentos e fitas VHS. Inclusive, consegui assistir a algumas dessas gravações no próprio MIS. Foi quando percebi a importância de contribuir para a digitalização desse patrimônio", relata. Até então, ela desconhecia a doação feita por Sarah, um gesto que descobriu por meio de uma reportagem.

A digitalização do acervo não se limita apenas à preservação, mas busca também ampliar o acesso público a esse patrimônio cultural. Maria Fernanda expressa a expectativa de que, futuramente, o projeto possa incluir documentos pessoais deixados por sua avó, que abrangem não apenas a dança, mas também o artesanato e as artes plásticas.

A pesquisadora destaca que a preservação da memória é fundamental para a atuação artística. "Sem memória, nossa atuação artística empobrece. Precisamos conhecer quem veio antes de nós, quem lutou para que hoje tivéssemos mais espaços e possibilidades. A dança que fazemos hoje também é resultado dessas histórias", afirma.

Maria Fernanda acredita que o acervo digitalizado pode servir como fonte para novas pesquisas e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural entre as novas gerações. "Esses documentos são fontes para que possamos acessar o passado e produzir novas reflexões e conexões com as gerações presentes e futuras", conclui.