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Mortes maternas no pós-parto crescem em Mato Grosso do Sul, apesar do avanço no pré-natal

Um boletim da SES revela que o período pós-parto é crítico para a saúde das mulheres em Mato Grosso do Sul. As macrorregiões do Estado apresentaram 21 óbitos maternos em 2025, com 66% das causas relacionadas a fatores obstétricos diretos.
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O pós-parto se consolidou como um dos períodos mais perigosos para a saúde feminina em Mato Grosso do Sul, de acordo com o boletim epidemiológico sobre Mortalidade Materna, Fetal e Infantil, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Este documento apresenta um panorama das vítimas e os principais fatores associados aos óbitos. Das quatro macrorregiões do Estado, apenas a do Pantanal não registrou mortes maternas. A macrorregião Sul é a que concentra o maior número de casos, com 10 óbitos, abrangendo municípios como Nova Andradina, Coronel Sapucaia e Japorã. A seguir, estão as macrorregiões Centro, onde está Campo Grande, com 8 mortes, e Costa Leste, com 3, embora a Costa Leste lidere em termos de risco, medido pela Razão de Mortalidade Materna.

O perfil das vítimas revela que as mulheres afetadas têm entre 30 e 39 anos, são predominantemente pardas e já passaram por uma ou mais gestações, muitas delas tendo realizado parto cesariano. A maioria das mortes ocorre durante o período puerperal, que é a fase que se segue ao nascimento do bebê. O boletim ressalta a necessidade de um cuidado contínuo após o parto, integrando os diferentes níveis de atenção à saúde, dado que o puerpério é um período crítico.

Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 21 óbitos maternos, dos quais 66% foram causados por fatores obstétricos diretos e 24% por causas obstétricas indiretas, com 10% das mortes sem causa especificada. As complicações hipertensivas e as hemorragias obstétricas foram as principais causas identificadas. Entre os fatores indiretos, a tuberculose se destacou, ressaltando a relação entre a Mortalidade Materna e as condições de vulnerabilidade social.

Apesar do cenário alarmante, o boletim apontou um aumento no número de consultas de pré-natal entre as gestantes investigadas, com mais de 50% realizando sete ou mais atendimentos, superando o mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde. Contudo, o levantamento também revelou fragilidades no acompanhamento das gestantes nas semanas finais da gravidez e inconsistências nos registros, o que dificulta a análise de dados e o planejamento de ações mais eficazes para a saúde materna.

Entre 2021 e 2025, a taxa de óbitos fetais se manteve relativamente estável, com a maioria das causas não especificadas, o que limita a compreensão dos dados. Já a mortalidade infantil apresentou oscilações, atingindo seu índice mais baixo em 2021, seguido por um aumento até 2023 e posterior estabilização. No total, entre 2021 e 2025, foram contabilizados 2.468 óbitos de crianças menores de um ano, com uma média anual de 494 casos. Desses, 67% foram atribuídos a afecções originadas no período perinatal, com ênfase em septicemia neonatal e desconforto respiratório, além de condições relacionadas à saúde materna.