A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro chegou a considerar a possibilidade de deixar o Partido Liberal (PL) em meio a uma crise familiar com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Essa reflexão foi vista como uma forma de ampliar sua autonomia política em relação ao enteado.
Aliados de Michelle discutiram nos bastidores alternativas para uma possível mudança de partido, cogitando siglas como o Republicanos e o Progressistas, que abrigam figuras próximas a ela, como a senadora Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão. Contudo, essa possibilidade foi abandonada após Michelle ser informada de que uma troca de legenda a impediria de concorrer nas eleições deste ano, visto que o prazo para filiação partidária se encerrou em abril.
Frente a esse cenário, seus aliados recomendaram que ela permanecesse no PL durante o processo eleitoral, adiando qualquer mudança partidária para depois das eleições, apesar das desavenças existentes no clã Bolsonaro. Recentemente, a ex-primeira dama também deixou de seguir os enteados Carlos e Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
Em um movimento relacionado à crise familiar, Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, a seção do partido voltada para o público feminino, nesta terça-feira (30). Em comunicado, ela declarou que sua decisão foi motivada pela necessidade de se dedicar aos cuidados de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que aguarda uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre sua situação de prisão domiciliar.
A decisão de Michelle foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na sede do partido em Brasília. Em seu comunicado, Michelle ressaltou que, após refletir sobre o momento delicado que sua família enfrenta, optou por se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente e de sua filha.
A indefinição sobre sua futura candidatura ao Senado também paira sobre a ex-primeira dama, que, na mesma nota de saída do PL Mulher, não mencionou seus planos políticos. Fontes próximas a ela indicam que a ex-primeira dama ainda considera a possibilidade de concorrer a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, mas prioriza, neste momento, os cuidados com Jair Bolsonaro. A definição sobre uma eventual candidatura deve ocorrer durante o período de convenções partidárias, programadas entre 20 de julho e 5 de agosto.
