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Mato Grosso do Sul SE destaca no mercado global de DDG com etanol de milho e Rota Bioceânica

O estado se posiciona como um hub de exportação de DDG, impulsionado pela expansão da Rota Bioceânica e pela abertura de novos mercados, como Chile e China.
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Mato Grosso do Sul está se consolidando como um importante centro de exportação de DDG (Dry Distillers Grains, ou Grãos Secos de Destilaria), subproduto do etanol de milho. Essa transformação ocorre em meio à expansão industrial e ao avanço da Rota Bioceânica, segundo análise de Mateus Fernandes, analista de Economia da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). A abertura do mercado chileno para o DDG brasileiro é um marco que pode alavancar ainda mais o setor.

Como o segundo maior produtor de etanol de milho do Brasil, com uma produção de 2,128 bilhões de litros na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul representa cerca de 20% da produção nacional. Em 2022, o estado gerou aproximadamente 1,40 milhão de toneladas de DDG, com 1,15 milhão de toneladas destinadas à exportação. Os principais destinos foram Nova Zelândia (27%), Turquia (23%), Vietnã (22%) e Espanha (18%). Esse cenário evidencia a diversificação da produção, que atende tanto ao mercado interno quanto ao externo.

A abertura de novos mercados, como Chile e China, amplia as opções de venda do DDG, aumentando a concorrência e aproximando os preços internos da paridade de exportação. Essa situação pode ter efeitos significativos na economia local, com potencial para sustentar ou até elevar os preços do DDG no mercado doméstico. Ao mesmo tempo, isso pode impactar os custos da ração animal, afetando a cadeia produtiva de carnes.

Mateus Fernandes destaca a importância desse cenário para a rentabilidade das usinas de etanol de milho, que agora têm mais alternativas de comercialização. O estado já é um dos principais polos de etanol de milho no Brasil e, portanto, um grande produtor de DDG. O fortalecimento desse setor é visto como estratégico, especialmente com a modernização da infraestrutura logística, que promete reduzir em até 15 dias o tempo de transporte em relação a rotas tradicionais, como o Canal do Panamá.

As obras do Corredor Bioceânico estão em andamento, com destaque para a construção da Ponte da Bioceânica, que conecta o Paraguai ao Brasil por Porto Murtinho. Atualmente, a estrutura já está em 90% de conclusão e a expectativa é que as duas extremidades se encontrem em maio. Também no Paraguai, a aplicação da base asfáltica na rodovia PY15 avança, cobrindo um trecho de 224 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, que é o último segmento ainda sem pavimentação no país.

Apesar das perspectivas otimistas, o crescimento das exportações de DDG apresenta desafios. É essencial equilibrar o aumento das vendas externas com o abastecimento no mercado interno, evitando pressão excessiva sobre os custos da cadeia de proteínas animais. Para garantir um crescimento sustentável, o estado deve focar em três frentes: ampliação da produção de milho, aumento da capacidade de processamento e melhorias na logística de escoamento.