Mato Grosso do Sul está incluído na lista dos 18 estados brasileiros que apresentam um aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de acordo com o boletim InfoGripe, publicado na quinta-feira (21) pela Fundação Oswaldo Cruz. O estudo analisa os casos de infecções respiratórias graves que requerem internação. No último levantamento, que abrange o período de 10 a 16 de maio, quase todo o Brasil se encontra em níveis de alerta, risco ou alto risco, com exceção de Rondônia.
Além de Mato Grosso do Sul, outros estados que demonstram uma tendência de crescimento são Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. O aumento nos casos é principalmente impulsionado pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que causa bronquiolite em crianças pequenas. Nas demais faixas etárias, o vírus Influenza é o principal responsável pelas internações.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, enfatizou a importância da vacinação em meio a esse cenário. Com a circulação elevada do Influenza A e do VSR, é fundamental que as pessoas que fazem parte dos grupos prioritários estejam imunizadas. Embora a Covid-19 esteja apresentando uma baixa circulação, o vírus ainda representa uma causa significativa de mortes por SRAG, especialmente entre os idosos.
A vacina contra o VSR foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no ano passado, sendo recomendada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Isso ocorre porque, ao serem imunizadas, as mães produzem anticorpos que são transferidos para os bebês, reduzindo o risco de complicações após o nascimento. No Mato Grosso do Sul, a vacinação contra a gripe já está disponível para toda a população, independentemente da faixa etária.
Até o momento, em 2026, o Brasil já registrou 63.634 casos de SRAG, conforme dados do InfoGripe. Entre os casos confirmados de infecções respiratórias nas últimas quatro semanas, 44,5% foram atribuídos ao VSR, 24,5% ao Influenza A, 24,4% ao rinovírus, 4,4% ao Influenza B e 2,6% ao Sars-CoV-2, o vírus da Covid-19. No que diz respeito aos óbitos, o Influenza A é o principal responsável, contabilizando 51,8% das mortes relacionadas a vírus respiratórios no período analisado, seguido pelo rinovírus (15,4%), Sars-CoV-2 (11,8%), VSR (11,4%) e Influenza B (4%).
O boletim revela um cenário preocupante, onde crianças pequenas apresentam taxas de internação mais elevadas, principalmente em decorrência do VSR, enquanto os idosos enfrentam maior risco de morte ao desenvolver quadros graves. Para Mato Grosso do Sul, a situação é clara: o estado está não apenas no mapa de alerta, mas também entre aqueles que ainda apresentam uma curva de crescimento no longo prazo.
