O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não se opõe às pessoas que acumulam riqueza através do trabalho, mas ressaltou que os mais abastados "não precisam muito do Estado". As declarações foram feitas na sexta-feira (15) durante a apresentação de novas iniciativas do Ministério da Saúde em sua visita ao Hospital de Amor, localizado em Barretos (SP).
Lula esclareceu sua posição, dizendo: "Tem muita gente que acha que o Lula só se preocupa com os pobres. Eu não tenho nada contra as pessoas que ganharam dinheiro trabalhando. A única coisa que eu tenho é que o Estado tem a função de fazer justiça e dar oportunidade de igualdade a todas as pessoas". O presidente destacou ainda que a função do Estado é garantir que nem só os ricos tenham acesso às oportunidades e recursos.
Em seu discurso, Lula criticou os governos anteriores, afirmando que, durante esses mandatos, a população mais pobre era tratada como invisível. "O Brasil entrou numa rota de civilidade. O pobre não será mais tratado como invisível, ele existe e é real", afirmou o presidente, reforçando a necessidade de um olhar mais atento para as questões sociais.
Durante sua fala no Hospital de Amor, Lula também se manifestou sobre a polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, que pediu um financiamento de R$ 134 milhões para produzir um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente destacou: "neste hospital aqui, não tem dinheiro do (Daniel) Vorcaro". Ele criticou a narrativa de que o setor público é inferior ao privado, afirmando que não aceita a ideia de que "tudo o que é público não presta, e o que é privado é bom".
Além disso, Lula abordou a questão do uso de inteligência artificial nas eleições. Ele defendeu a necessidade de uma restrição mais rigorosa, mencionando a nova resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe a divulgação de conteúdos gerados por IA nas 72 horas que antecedem e nas 24 horas que se seguem ao pleito. "O presidente do TSE disse que, nos dois dias antes das eleições, não vai ter inteligência artificial. Mas não pode ter nunca na eleição. Porque governar não é artificial, governar é real. Você não pode acreditar em ficção", declarou Lula, que elogiou a nova regra ao afirmar que a considerou "maravilhosa".
