Na terça-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, revelou que as negociações com os Estados Unidos a respeito do programa nuclear e das sanções internacionais podem começar ainda esta semana. O início das discussões está previsto para ocorrer após a assinatura de um acordo que visa pôr fim a quase quatro meses de conflitos na região.
A cerimônia de assinatura do memorando de entendimento está agendada para a próxima sexta-feira (19), data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o Estreito de Ormuz será reaberto de forma "completa". Durante a guerra, o bloqueio imposto pelo Irã à passagem de navios nessa rota estratégica interrompeu a exportação de combustíveis do Golfo, resultando em inflação e problemas no abastecimento de fertilizantes e outros produtos.
O acordo entre Washington e Teerã também inclui o início de novas negociações, que devem ocorrer no prazo de 60 dias, para discutir temas mais complexos, como o programa nuclear iraniano e as sanções que afetam o país. Araghchi mencionou que as conversas para um acordo final provavelmente terão início na sexta-feira, em um local que ainda será definido.
A assinatura do documento, que ocorrerá na Suíça, contará com a presença de Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, e do vice-presidente dos EUA, JD Vance. Há a possibilidade de que Donald Trump também participe do evento. Ambos os líderes americanos garantiram a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota que, antes da guerra, era responsável por aproximadamente 20% do comércio global de petróleo e gás.
Após os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel, que deram início ao conflito, Teerã fechou essa importante via. Em resposta, Washington implementou um bloqueio naval aos portos iranianos. Trump comemorou na segunda-feira (15) que embarcações, algumas carregadas de petróleo, começaram a deixar o Estreito de Ormuz, conforme anunciado em sua rede social Truth Social.
Entretanto, analistas alertam que a situação no Líbano, onde Israel e o Hezbollah, um grupo apoiado por Teerã, estão envolvidos em um conflito, pode complicar as negociações. O Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação ao assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, o que resultou em bombardeios israelenses e uma invasão no solo.
