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Investigados por fraude em medicamentos para câncer são soltos após cinco dias de detenção

Cinco alvos da Operação OncoJuris, detidos por suposta fraude na compra de medicamentos oncológicos, foram liberados pela Justiça após o prazo de cinco dias. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna considerou que não houve risco à colheita de provas.
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A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, decidiu liberar os cinco investigados da Operação OncoJuris, que estavam detidos desde o dia 23. A decisão ocorreu após o término do prazo de cinco dias da detenção temporária, quando a magistrada indeferiu o pedido de prorrogação da prisão. No despacho, a juíza avaliou que os alvos são primários e não apresentariam risco de interferência nas investigações, sendo suficientes outras medidas cautelares.

Os investigados foram levados para as celas da Depac/Cepol e do Presídio Militar em Campo Grande, além de uma unidade da Polícia Civil em Ribas do Rio Pardo. No entanto, foram liberados ontem, considerando que o mandado de prisão temporária é contado a partir do cumprimento da ordem. A Operação OncoJuris é um desdobramento de uma investigação sobre um esquema que desvia recursos da Saúde para a compra de medicamentos de alto custo, com movimentações estimadas em R$ 78 milhões.

Entre os detidos, o farmacêutico Luiz Henrique Marino é um dos principais alvos, sendo proprietário da farmácia Multidrogas em Ribas do Rio Pardo. Ele foi apontado como integrante da organização criminosa que atuava no fornecimento e intermediação da compra de medicamentos. O advogado Matheus Bolis Fatin, que representa Marino, informou que o caso tramita sob segredo de justiça e não poderá divulgar detalhes dos autos. Ele ressaltou a importância do princípio da presunção de inocência durante a investigação.

Outro farmacêutico detido, Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos, também foi liberado após a expiração do prazo de prisão. Seu advogado, Anderson Benites, argumentou que, mesmo com o término do prazo, ele protocolou um pedido de liberdade para evitar complicações, afirmando que não há denúncia formal contra seu cliente e que confia na inexistência de qualquer ato ilícito.

A Operação OncoJuris foi realizada pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), em conjunto com a Defensoria Pública e a Receita Federal. A ação cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. A força-tarefa identificou que o esquema criminoso operava em quatro núcleos: administrativo, jurídico, empresarial e de importação. Os advogados desempenhavam um papel crucial na judicialização das demandas, enquanto os envolvidos na administração pública facilitavam os processos internos.

Por outro lado, o núcleo empresarial, que incluía farmacêuticos de pequenos estabelecimentos, era responsável pela compra e fornecimento dos medicamentos, muitas vezes importados sem o devido registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e revendidos a preços exorbitantes, chegando a ser até 70 vezes superiores ao valor original.