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Idosa busca anular acordo para manter a casa após histórico de violências

Iraina da Silva, de 73 anos, tenta reverter um acordo de dissolução de união estável em Aparecida do Taboado, alegando ter sido pressionada após sofrer violências. O caso envolve herdeiros que cobram cumprimento de acordo sobre imóvel.
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Iraina da Silva, uma idosa de 73 anos, ingressou com uma ação judicial para anular um acordo de dissolução de união estável, buscando evitar a perda de sua residência em Aparecida do Taboado, município localizado a 458 quilômetros de Campo Grande. O acordo em questão foi formalizado em 2019, mas segundo a petição, a assinatura ocorreu sob coação, após mais de uma década de agressões físicas e patrimoniais perpetradas pelo ex-companheiro, que já faleceu.

O histórico de violência é detalhado no processo, que relata uma união estável de aproximadamente 14 anos, marcada por ameaças constantes, cárcere privado e porte ilegal de arma. Em 2013, a idosa e sua irmã foram sequestradas pelo ex-marido, que foi preso em flagrante. O ocorrido resultou na abertura de um inquérito policial e na concessão de medidas protetivas, culminando na condenação do agressor em primeira instância em 2020, antes de sua morte durante a tramitação do recurso.

Após vivenciar essas situações de violência, Iraina decidiu iniciar o processo de separação. Durante a fase final desse procedimento, foi estabelecido um acordo que envolvia a divisão do imóvel. A defesa, representada pelo advogado Igor Duarte Gomide dos Santos, argumenta que a idosa não teve liberdade para consentir e que as condições impostas eram desproporcionais em relação à sua renda.

Com o falecimento do ex-companheiro, os herdeiros começaram a exigir judicialmente o cumprimento do acordo. A casa onde Iraina reside chegou a ser leiloada, mas a venda foi revertida em cima da hora. Além disso, a aposentadoria da idosa, que é de R$ 921, foi penhorada, embora, posteriormente, tenha sido desbloqueada. A defesa sustenta que o acordo é nulo, tendo sido firmado em um contexto de violência e vulnerabilidade.

Recentemente, testemunhas foram ouvidas e corroboraram o relato de Iraina, trazendo à tona episódios de intimidação e violência patrimonial. O advogado da idosa citou que ela chegou a esconder bens, como um veículo, por receio de que o ex-marido o incendiaria, e que vivia sob pressão psicológica constante. Outro aspecto questionado é a mediação que levou ao acordo, com a defesa apontando a ausência de equilíbrio entre as partes e possíveis falhas na assistência jurídica na época.

O imóvel em disputa, conforme o processo, é de propriedade da idosa, mas foi ampliado durante o relacionamento, fato utilizado pelos herdeiros como justificativa. A ação não apenas solicita a suspensão imediata do cumprimento da sentença, mas também a anulação do acordo, com base na legislação civil e na Lei Maria da Penha. A reportagem tentou contato com a defesa da outra parte para obter comentários sobre o caso e aguarda retorno. O processo continua em trâmite judicial.