Na manhã do domingo (31), cerca de 50 indígenas se dirigiram à chácara Água Bonita, localizada no Bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, com a intenção de reivindicar direitos sobre a área. A ação, que foi inicialmente interpretada como uma tentativa de invasão, foi resolvida sem complicações após negociações com as forças de segurança. A liderança Suzy Guarani, representante do grupo, esclareceu que a mobilização visava a luta por moradia digna e a recuperação de direitos históricos, e não uma ocupação.
Suzy Guarani destacou a urgência da situação, afirmando que muitas famílias da comunidade indígena enfrentam vulnerabilidade habitacional e não conseguem arcar com o custo do aluguel. "Não é uma ocupação, é a retomada dos nossos direitos, de onde nós queremos que nossos filhos vivam, que nossos netos vivam, porque todos que estão aqui não têm onde morar", enfatizou a liderança. Ela também mencionou que a reivindicação se baseia em documentos da Associação Kaguateca Marçal de Souza e relacionou a área à história da liderança Marta Guarani.
Embora o grupo tenha tentado uma entrada pacífica, o responsável pela propriedade também apresentou documentos que demonstravam a posse da área. Contudo, nenhum dos envolvidos conseguiu apresentar uma decisão judicial que legitimasse a posse ou a reintegração de posse da chácara. Após o diálogo com as forças de segurança, Suzy afirmou que o grupo formalizaria a reivindicação junto aos órgãos competentes, incluindo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A liderança manifestou que a intenção era evitar conflitos, esclarecendo que os indígenas não estavam armados, mas sim portando ferramentas para demarcação do território. "Flecha não é arma. Maracá não é arma. A gente veio em paz para resgatar o que é nosso", declarou Suzy. O tenente responsável pela negociação ressaltou que, caso houvesse uma decisão judicial reconhecendo os direitos reivindicados, a presença de representantes indígenas seria suficiente para comunicar a decisão, sem a necessidade de manter todo o grupo no local.
Além da Polícia Militar, equipes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e do Grupo de Operações e Investigações (GOI) também estiveram presentes na situação. O responsável pela chácara se dirigiu à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol para registrar a ocorrência. Embora os indígenas mencionassem documentação que respaldasse sua reivindicação, esta se tratava de um estudo da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e não de uma decisão judicial formal.
