O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) desarticulou uma organização criminosa que prometia vagas em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) em troca de contratos fraudulentos relacionados a livros paradidáticos. A operação, denominada Gutenberg, ocorreu em seis municípios do estado, incluindo Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho. Mandados também foram cumpridos em São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Durante a ação, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. A investigação revelou a existência de um esquema voltado para a prática de crimes contra a Administração Pública, abrangendo licitações fraudulentas, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. O coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlos Britto Burgatt, foi um dos presos e é apontado como mediador do esquema, utilizando seu cargo para oferecer vantagens na regulação hospitalar em troca de contratos.
Para garantir as vagas em hospitais, a organização solicitava que prefeituras contratassem uma empresa parceira para fornecimento de livros paradidáticos. Essa empresa, a Gráfica Alvorada, tem vínculos diretos com Olívia e Rossana Jafar, que foram presas durante a operação. Elas assumiram o controle da livraria após a morte de Mirched Jafar Júnior em abril de 2021, supostamente dando continuidade a um esquema que já existia antes da pandemia.
O MPMS detalhou que o esquema funcionava por meio de contratos fraudulentos. Um dos contratos fechados pela Gráfica Alvorada com a prefeitura de Dourados, por exemplo, teve um valor total de R$ 8.699.390,00 para a aquisição de 90 mil kits paradidáticos, com temas variados, e foi assinado em julho de 2024. Outro contrato, assinado em setembro de 2023 e com encerramento previsto para janeiro de 2025, envolveu a compra de 42,3 mil kits com um valor de R$ 4.372.772,00.
Além disso, foram identificados outros contratos Em São Gabriel do Oeste, com valor de R$ 640 mil, e em Porto Murtinho, totalizando R$ 249,9 mil. Todos esses contratos foram relacionados ao fornecimento de kits pedagógicos paradidáticos. A operação contou ainda com o apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
