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Deputado Mário Frias é intimado pelo STF sobre emendas a produtoras de filme de Bolsonaro

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) enfrenta investigação do STF após destinar emendas parlamentares a empresas ligadas ao filme sobre Jair Bolsonaro. A denúncia foi apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) - Foto: Roberto Castro/Mtur
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) - Foto: Roberto Castro/Mtur

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) está sob investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a supostas irregularidades na concessão de emendas parlamentares a empresas envolvidas na produção do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse. A apuração foi determinada pelo ministro Flávio Dino, que deu um prazo de cinco dias para que o parlamentar se manifestasse sobre a denúncia feita pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

A denúncia aponta que Frias destinou, no mínimo, R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), uma organização não governamental presidida por Karina Ferreira da Gama. Além da ANC, Karina também lidera outras entidades, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, esta última responsável pela produção do filme que deve estrear nos cinemas em setembro, antes do primeiro turno das eleições.

De acordo com os processos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça encarregada de intimar Mário Frias fez várias tentativas de contato com o deputado em seu gabinete, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Apesar das visitas realizadas entre março e abril, Frias não foi encontrado, sendo informado que estava em compromissos de campanha em São Paulo, sem que sua agenda fosse disponibilizada aos oficiais.

Além de Mário Frias, outros deputados como Bia e Pollon também foram intimados e enviaram suas respostas ao ministro Flávio Dino. Frias confirmou a destinação de R$ 1 milhão à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, através da Go Up Entertainment, para a produção da série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem. Contudo, o deputado alegou que o projeto não avançou devido à incapacidade da entidade beneficiária em atender a requisitos técnicos essenciais.

Em meio a essas controvérsias, áudios revelados mostram trocas de mensagens entre um senador e um banqueiro sobre a necessidade de financiamento para o filme, ocorrendo momentos antes da prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero, que teve início em novembro de 2025. As conversas indicam um clima de urgência em relação ao envio de recursos, com menções a parcelas em atraso que geram preocupação no andamento do projeto cinematográfico.

A investigação em curso pelo STF e os desdobramentos da denúncia levantam questões sobre a utilização de emendas parlamentares em projetos artísticos e a relação entre política e produção cultural no Brasil.