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Crescimento das fake news sobre urnas eletrônicas preocupa especialistas

Uma pesquisa revela que 45% das informações falsas sobre eleições no Brasil estão relacionadas ao funcionamento das urnas eletrônicas, levantando questões sobre a confiança no sistema de votação.
Urna eletrônica — Foto: Urna eletrônica - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Urna eletrônica — Foto: Urna eletrônica - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Um estudo recente revelou um aumento significativo na desinformação eleitoral, coincidentemente com os 30 anos de uso das urnas eletrônicas no Brasil, completados em 13 de setembro de 2023. A Pesquisa do Projeto Confia, parte do Pacto pela Democracia, identificou que 45% dos conteúdos desinformativos veiculados durante os últimos ciclos eleitorais se concentraram nas urnas.

Além disso, a pesquisa destacou que desinformações relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a outras autoridades representaram 27,1% do total. Teorias sobre possíveis fraudes na apuração dos votos somaram 21,8% e informações falsas sobre regras e logística eleitoral corresponderam a 15,4%. As alegações mais recorrentes incluem a existência de atrasos no botão “confirma” e a ideia de que a urna eletrônica completaria automaticamente os dados inseridos pelos eleitores.

Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, explicou que a desinformação se aproveita da falta de conhecimento técnico da população sobre o sistema eleitoral. Ela apontou que as narrativas frequentemente utilizam explicações técnicas incorretas para sugerir falhas e manipulações, gerando desconfiança. “Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou que o acesso esporádico da população às urnas, que ocorre apenas a cada dois anos, facilita a propagação de informações falsas. “As pessoas só têm contato com a urna no dia da votação, o que dificulta a checagem rápida de notícias falsas”, acrescentou.

A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024, sendo que 716 mensagens foram selecionadas para uma análise qualitativa mais aprofundada. Dentre essas, 326 continham ataques diretos às urnas eletrônicas. O levantamento tem como objetivo entender a perda de confiança nas eleições, especialmente em relação ao sistema de votação.

O Pacto pela Democracia, que inclui mais de 200 organizações da sociedade civil, trabalha no monitoramento de ameaças ao Estado Democrático de Direito e no combate à desinformação eleitoral, visando preparar o terreno para as eleições de 2026.