A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não teve qualquer influência na decisão que resultou na classificação de facções criminosas brasileiras como narcoterroristas. Roberson fez essa declaração em entrevista à GloboNews na última sexta-feira, dia 29, ressaltando que as únicas autoridades com poder para esse tipo de decisão são o presidente Donald Trump e o Secretário de Estado, Marco Rubio.
A declaração de Amanda Roberson enfatizou que a designação de grupos como terroristas é uma ferramenta prevista na legislação dos Estados Unidos, visando tomar ações contra organizações que já atuam em território americano. “Essas designações são uma parte da lei dos Estados Unidos de tomar ações contra grupos e entidades que já sabemos que, no caso destes dois grupos, já estão atuando dentro dos Estados Unidos”, afirmou a porta-voz.
A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras foi anunciada por Marco Rubio em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, dia 28. O Secretário de Estado caracterizou essas facções como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, com atuação que se estende por toda a região e também nos Estados Unidos. Rubio reiterou que a Administração Trump está comprometida em utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger os interesses de segurança nacional e combater o financiamento de narcoterroristas.
Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência, afirmou ter solicitado a inclusão do PCC e do CV na lista de grupos terroristas dos EUA durante uma visita à Casa Branca no dia 26. Após o encontro, Flávio manifestou nas redes sociais que o Brasil não pode continuar sendo refém das facções narcoterroristas e destacou a necessidade de acabar com o domínio do terror no país. “E podem ter certeza, ou essas facções deixam o País, ou serão neutralizadas”, escreveu ele.
Além disso, Flávio Bolsonaro declarou que, caso seja eleito, pretende incluir o Brasil na iniciativa chamada ‘Escudo das Américas’, proposta por Trump, que visa combater o tráfico de drogas e a imigração ilegal. Essa iniciativa visa fortalecer a segurança regional e a cooperação entre os países da América.
A repercussão das declarações e ações de Flávio Bolsonaro e a resposta do Departamento de Estado dos EUA refletem a complexidade das relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente no que tange a questões de segurança e combate ao crime organizado. A designação das facções como terroristas pode ter implicações significativas nas relações bilaterais e nas políticas de segurança pública no Brasil.
