Na quinta-feira (25), o MPT-MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul) concluiu uma capacitação voltada para servidores com o objetivo de intensificar a atuação contra o Trabalho Escravo no estado. O treinamento foi realizado em locais com alta incidência de casos, especialmente nas regiões rurais, incluindo os municípios de Aquidauana, Anastácio, Miranda e Corumbá.
Entre 2010 e 2024, Mato Grosso do Sul se destacou como o segundo estado brasileiro com maior número de migrantes escravizados, totalizando 143 casos. A escolha das localidades para a capacitação levou em conta fatores como a dispersão das propriedades e a proximidade com regiões de fronteira, além da vulnerabilidade social que dificulta a identificação de situações de exploração.
O Procurado do Trabalho, Paulo Douglas Almeida de Moraes, enfatizou a necessidade de profissionais especializados na luta contra o Trabalho Escravo. Ele ressaltou que a atuação em rede é crucial para ampliar a visão sobre onde ocorrem essas práticas e, assim, aumentar a efetividade das ações do MPT. "Poder contar com o apoio destas instituições parceiras, e qualificar esta rede, será estratégico para ampliar o nosso campo de visão sobre onde há Trabalho Escravo", afirmou.
A capacitação durou três dias, de 23 a 25 de junho, e envolveu servidores das redes municipais de assistência social, educação, saúde, além de profissionais de assuntos indígenas e migração. Também participaram representantes dos Conselhos Tutelares, forças de segurança pública, Guarda Municipal, Forças Armadas e organizações da sociedade civil.
O objetivo da capacitação é promover a integração entre as instituições responsáveis pela rede de proteção às vítimas. Durante a formação, foi apresentado o Fluxo Nacional e Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, que visa unir as instituições no atendimento às vítimas, desde a identificação de casos até o acolhimento social após o resgate.
A coordenadora da COETRAE-MS (Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo) destacou que muitas ações ocorrem de forma isolada, sem o conhecimento das demais instituições. "Este é o momento de aproximar esses atores, compreender como cada um atua e fazer com que o fluxo estadual e o Plano de Erradicação sejam efetivamente colocados em prática, por meio de uma atuação coordenada", concluiu.
