As defesas dos investigados que estão presos em decorrência da Operação Gutenberg iniciaram a elaboração de pedidos de habeas corpus com o objetivo de contestar as prisões preventivas decretadas pela Justiça. Os advogados de Geancarlos Leal de Freitas e Felipe Paroschi Jafar confirmaram que as solicitações devem ser protocoladas ainda nesta quinta-feira (9). O advogado Ewerton Brito, responsável pela defesa de Geancarlos, afirmou que o habeas corpus está na fase final de elaboração. Ele argumentou que a prisão preventiva não atende aos critérios estabelecidos pela legislação. "A prisão dele não preenche os requisitos para que permaneça preso, por isso vamos trabalhar pela liberdade dele. Até o momento, estamos convictos da inocência. A investigação ainda é prematura, mas temos certeza de que provaremos que ele não teve participação em qualquer atividade criminosa e que foi um equívoco ele ser alvo desta operação. Ele é uma pessoa idônea, trabalhador e pai de família, que nunca se envolveu com nenhuma prática criminosa", declarou Brito.
O advogado Guilherme Tabosa, que representa Felipe Paroschi Jafar, também informou que medidas estão sendo preparadas para a revogação da prisão preventiva de seu cliente. Ele destacou que o acesso aos autos foi inicialmente restrito, prejudicando a defesa. "A defesa de todos os envolvidos foi inicialmente prejudicada por um cerceamento de acesso aos autos da medida cautelar. Porém, neste momento, as providências para restabelecer a liberdade do cliente e demonstrar o grande equívoco do Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado] já estão em andamento", afirmou Tabosa.
Geancarlos e Felipe estão entre os 16 alvos dos mandados de prisão preventiva que foram expedidos na Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco. A investigação investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo contratos públicos.
Nesta quinta-feira (9), a Justiça decidiu manter as prisões preventivas de Jessyka Duarte Burgatt, da cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e do ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos. Os três passaram por audiência de custódia no Fórum de Campo Grande. No caso de Jessyka, a defesa havia solicitado a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. No entanto, o juiz Marcus Abreu de Magalhães não analisou o pedido, alegando que a Coordenadoria de Audiência de Custódia não possui competência para revisar prisões preventivas decretadas por outro juízo, especialmente quando decorrentes do cumprimento de mandados judiciais.
A defesa de Jessyka sustentou que ela é mãe de duas crianças, uma de 11 anos e outra de um bebê de 1 ano, ainda amamentado. Além disso, enfatizaram que ela é primária, possui residência fixa e não responde a outros processos criminais. Como alternativa, os advogados solicitaram a revogação da prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.
