A infância é frequentemente vista como uma fase criativa, onde as crianças experimentam coisas novas e desenvolvem uma forma de expressão única. No entanto, a criatividade não se baseia apenas na espontaneidade; ela também requer um repertório que se forma ao longo da vida.
Esse repertório é singular e exclusivo a cada indivíduo, resultando em produções originais. Contudo, é irônico que, no atual contexto em que a geração mais jovem fala sobre autenticidade, ela esteja vivenciando um nível de padronização estética sem precedentes. A facilidade de acesso a informações sobre moda, por meio de smartphones, proporciona aos adolescentes uma quantidade de referências muito maior do que a que estava disponível para um editor de revista há duas décadas.
Entretanto, ao observar os feeds das redes sociais, nota-se uma uniformidade nas vestimentas, o que levanta questionamentos sobre a origem dessa homogeneidade. Antigamente, as inspirações de moda vinham de fontes variadas, como revistas, filmes e interações sociais, resultando em estilos distintos. Atualmente, o algoritmo das redes sociais prioriza a repetição de padrões de sucesso, o que pode limitar a originalidade dos usuários.
Esse mecanismo traz à tona um dilema: ao deixar que o algoritmo faça as escolhas por nós, a espontaneidade e a experimentação, que sempre foram fundamentais para a construção de um estilo pessoal, são cada vez mais escassas. Além disso, a rapidez com que as tendências e conteúdos relacionados se alteram dificulta o desenvolvimento de um estilo autêntico, que normalmente requer tempo para repetição, erros e aprendizado.
Assim, o ambiente atual de moda, mediado pelas redes sociais, transforma a criatividade em uma prática mais superficial, onde a cópia se torna uma alternativa mais fácil do que a busca pela originalidade.
