A tese que investiga a Etnomatemática no Território Quilombola Kalunga, defendida por Hélio Rodrigues dos Santos e orientada pelo doutor Geraldo Eustáquio Moreira, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília, traz uma abordagem inovadora sobre a relação entre saberes tradicionais e a Matemática formal em comunidades quilombolas.
A pesquisa estabelece um diálogo fundamental entre a Educação Escolar Quilombola e o Programa Etnomatemática, ressaltando que a primeira representa uma modalidade de ensino voltada para a transformação social e a valorização das particularidades culturais das comunidades quilombolas. Essa modalidade educacional busca não apenas o acesso ao conhecimento, mas também a preservação e promoção dos saberes locais.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
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O Programa Etnomatemática, por sua vez, se dedica ao estudo das práticas matemáticas que emergem de diferentes culturas e realidades. Ele transcende uma abordagem pedagógica convencional, oferecendo uma perspectiva que considera a realidade de grupos sociais específicos. A Etnomatemática se configura, assim, como um meio de resistência cultural, promovendo uma visão interdisciplinar e intercultural da Matemática.
As oficinas pedagógicas realizadas na escola quilombola funcionaram como espaços de interação entre os saberes populares e os conhecimentos acadêmicos, favorecendo a participação ativa dos anciãos e a troca de experiências. Essa colaboração não apenas fortaleceu o pertencimento da comunidade, mas também contribuiu para um aprendizado mais significativo de Matemática, tornando-a mais acessível e pertinente ao cotidiano dos alunos.
Ao contextualizar o ensino nas experiências diárias da comunidade, a pesquisa demonstra como os saberes transmitidos pelos membros da comunidade podem facilitar a articulação entre os conceitos matemáticos e as práticas cotidianas. A conclusão da tese enfatiza a urgência de políticas públicas que assegurem currículos adaptados, formação específica de professores e investimentos contínuos, essenciais para a efetivação da Educação Escolar Quilombola.
A Etnomatemática, nesse contexto, se revela um caminho crucial para a emancipação e a reparação histórica, garantindo que a escola reflita a rica herança cultural dos quilombos, promovendo uma educação que respeite e valorize suas tradições.