A inadimplência do agronegócio de Mato Grosso do Sul com os bancos e demais fornecedores cresceu exponencialmente nos últimos três anos, indicam os dados da Serasa Experian. Em 2023, foram apenas 25 pedidos de recuperação judicial. Em 2024, o total de empreendimentos do agronegócio à beira da falência que foram à Justiça para tentar se recuperar saltou para 99. No ano passado, esse número disparou para 216.
O crescimento exponencial dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio de Mato Grosso do Sul é devido a vários fatores, como o aumento da taxa Selic, a queda de preços e a instabilidade externa. Além disso, os fatores climáticos também têm impactado negativamente o setor. “No agro, há fatores climáticos e de mercado que impactam de forma bem específica”, explica Frederico Poleto, diretor de ciência de dados Agro da Serasa Experian.
A expansão do crédito agrícola da pandemia para cá também influencia no aumento da inadimplência, analisa o especialista. “Há também efeitos relacionados às políticas dos bancos e aos subsídios governamentais, porque nos últimos anos houve um aumento nos financiamentos”, explica.
Segundo o analista de dados da Serasa, a tendência é que os indicadores de recuperação judicial caiam nos próximos anos. “Agora segue o movimento contrário, em que os bancos precisam segurar os financiamentos até que a inadimplência e os indicadores de RJ arrefeçam”, explica.
