Uma recente manobra contábil na Câmara dos Deputados possibilitou que R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares ficassem sem autores definidos, somente em 2025. Os dados foram divulgados em um estudo do Transparência Brasil, na última segunda-feira (13).
De acordo com o levantamento, 1.341 emendas de comissão estão inseridas nessa prática, que se assemelha ao já extinto ‘orçamento secreto’. Essas manobras envolvem informações discutidas em reuniões das bancadas partidárias, cuja documentação não é acessível ao público, o que configura uma ilegalidade.
Como resultado, as emendas são formalmente atribuídas à liderança partidária, sem que se identifique quem efetivamente fez o pedido de repasse. O estudo revelou que os partidos PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade foram os responsáveis por essa ação.
Dentre as emendas mencionadas, R$ 818,1 milhões foram oriundos da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. Para 2026, já foram registradas emendas sem identificação que totalizam R$ 378,8 milhões, abrangendo todos os partidos, exceto o Solidariedade.
Além das emendas irregulares, ex-deputados estão sendo alvo de investigações relacionadas a esse assunto. O presidente nacional do Solidariedade, Valdemar Costa Neto, teve R$ 119 milhões bloqueados após uma decisão do ministro Flávio Dino, do Superior Tribunal Federal (STF), no contexto da Operação Transparência, conduzida pela Polícia Federal (PF).
Uma Apuração do Estadão revelou que três deputados do PL foram identificados como autores de emendas suspeitas: Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden. Também foi reportado que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teve aproximadamente R$ 6 milhões congelados em sua conta, após determinação de Flávio Dino.
