A reflexão sobre a finitude da vida frequentemente gera sentimentos conflitantes. Apesar de muitos afirmarem estar prontos para esse momento inevitável, a dificuldade em abordar o tema persiste. Quando a vida é ameaçada por doenças graves e incuráveis, a realidade da morte se torna inegável.
Tiago Pitthan, conhecido como ‘O Bom Sujeito’, emocionou o público ao realizar seu velório em vida, abordando abertamente sua luta contra o câncer. "Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem" foi o lema que o acompanhou durante sua jornada. Tiago faleceu no último domingo (5), em Campo Grande, após uma batalha contra a doença em estágio terminal. Antes de partir, ele deixou um legado sobre viver intensamente e o valor de estar cercado por pessoas do bem, enfatizando que um diagnóstico não deve definir os últimos dias de uma pessoa.
O fotógrafo Roberto Higa, referência na história de Mato Grosso do Sul, também compartilha uma mensagem similar enquanto enfrenta o tratamento paliativo para um câncer de garganta, que retornou sem chances de cura. Em um vídeo nas redes sociais, Higa expressou sua determinação ao lado da família, afirmando: "Juntos chegaremos lá. Com vocês, enfrento qualquer coisa, sem nenhum tiquinho de medo."
Essas narrativas contribuem para uma discussão ainda pouco abordada: a relevância dos Cuidados Paliativos. Ao contrário da crença comum, esses cuidados não são exclusivos para pacientes em fase terminal. Eles podem ser iniciados com o diagnóstico de doenças crônicas, permitindo ao paciente lidar melhor com os efeitos da enfermidade e do tratamento.
O foco dos Cuidados Paliativos é proporcionar qualidade de vida e alívio do sofrimento por meio da identificação precoce e da assistência adequada. A médica Fernanda Romeiro ressalta a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre esses cuidados, destacando que muitas famílias ainda desconhecem o que realmente envolvem. "A primeira reação costuma ser: ‘Então vocês vão desligar tudo?’. E não é nada disso. O cuidado paliativo não é contra o prolongamento da vida; há evidências de que pode até aumentar a sobrevida, mas, principalmente, proporciona mais qualidade durante esse tempo."
Fernanda destaca que a promoção de discussões sobre o tema pode ampliar o acesso da população a esse tipo de assistência. "Precisamos aproveitar esses momentos para disseminar informação de qualidade. Quanto mais as pessoas entenderem o que realmente são os Cuidados Paliativos, mais pacientes e famílias poderão receber esse cuidado de forma precoce e viver esse processo com mais acolhimento, dignidade e respeito."
