A Justiça de São Paulo negou, na quarta-feira (8), o pedido de habeas corpus para Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e seus familiares, incluindo seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, o Gordão, e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Todos permanecem presos e são alvos de investigações relacionadas ao crime organizado.
Marcola, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), e seus familiares são investigados por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 20 milhões. As apurações estão sendo realizadas por meio da Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Federal (PF), que também investiga a influenciadora Deolane Bezerra, suspeita de atuar como “caixa” da facção criminosa por meio da empresa Lopes Lemos Transportes Ltda.
O pedido de habeas corpus foi apresentado pelo advogado Bruno Ferullo Rita, que defende a família Camacho. A defesa argumentou que os líderes da cúpula do PCC já cumprem pena em presídio federal. Entretanto, a desembargadora Renata William Rached Catelli negou o pedido, mantendo as prisões.
As Investigações do Ministério Público e da Polícia Civil revelaram que o PCC utilizava a Lopes Lemos Transportes Ltda. para ocultar a origem dos recursos ilícitos. As operações da empresa apresentaram um volume financeiro incompatível com sua estrutura, totalizando mais de R$ 20 milhões, levantando suspeitas sobre a legalidade das transações.
A Justiça enfatizou como o controle do esquema era mantido, com Gordão e Marcola continuando a tomar decisões financeiras mesmo estando em penitenciárias federais de segurança máxima. Documentos indicaram que, em julho de 2019, foram encontrados registros do esquema na cela de líderes do PCC, mostrando a continuidade das atividades criminosas.
A decisão do TJSP foi pautada na capacidade dos envolvidos de gerenciar operações que movimentam grandes quantias, mesmo dentro do sistema prisional, o que representa um risco à ordem pública. A Justiça também considerou que a lavagem de dinheiro e a organização criminosa são delitos de natureza permanente, justificando a necessidade de manutenção das prisões.
