A Operação Gutenberg, realizada na última terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, revelou um esquema de corrupção que permitia a alguns pacientes furar a fila de espera por exames no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa prática afetou aproximadamente 25 mil pessoas que aguardavam por procedimentos essenciais, como tomografias e ressonâncias magnéticas.
A investigação apontou que o coordenador estadual de Regulação Assistencial do Complexo Regulador Estadual da Secretaria de Estado de Saúde utilizava sua posição para favorecer determinadas prefeituras em troca de contratos fraudulentos. Entre os principais envolvidos no esquema estava Ed Carlos Britto Burgatt, que manipularia a distribuição de vagas para internação, cirurgias e exames, exigindo que os municípios contratassem empresas para fornecer livros como uma forma de ocultar os lucros das transações.
As empresas implicadas incluem a Gráfica Alvorada e a Editora Avante, que atuavam como fachada para os contratos. O Ministério Público destacou que a organização criminosa contava com a colaboração de servidores da saúde pública, que condicionavam a autorização de exames e cirurgias à compra de livros, perpetuando um ciclo de corrupção que ainda estava em operação.
Um levantamento feito em fevereiro de 2024 pelo Ministério Público revelou que mais de 25 mil pessoas estavam na fila para realizar exames na saúde pública estadual. Essa situação gerou relatos de pacientes como a Aposentada Shirley Ferreira, que enfrentou dificuldades para obter atendimento médico após múltiplas fraturas, e Alisson Manoel, de 22 anos, que, após um acidente de moto, não conseguiu realizar um raio-X no cotovelo, mesmo com encaminhamento.
Os R$ 27 milhões levantados pela organização criminosa foram distribuídos entre seus membros e servidores corruptos, além de diversas pessoas físicas e jurídicas, com o intuito de esconder a origem ilícita dos recursos. A operação expõe a gravidade da corrupção na saúde pública e a necessidade de medidas efetivas para proteger os direitos dos cidadãos que dependem do SUS.
