O governo federal apresentou uma resposta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em relação a uma investigação que pode resultar em tarifas sobre produtos brasileiros. O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi enviado na última quarta-feira (1º) e destaca que o sistema de pagamentos Pix não exclui empresas estrangeiras. Além disso, sugere que as negociações sobre tarifas de etanol sejam feitas de forma bilateral.
No texto de 29 páginas, Vieira pediu para que os Estados Unidos reconsiderem a proposta de tarifa de 25% em virtude da investigação em andamento. O prazo para que os EUA decidam sobre a imposição de sanções é o dia 15 de julho. O chanceler argumentou que a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 não permite que o USTR imponha sanções apenas por discordâncias em relação às políticas de um país soberano.
O governo brasileiro estruturou a resposta em tópicos, abordando as justificativas apresentadas pelos norte-americanos para a proposta tarifária. Um dos principais pontos é a defesa do Pix, que, segundo o Itamaraty, foi mal interpretado pelo USTR. O Brasil enfatizou que o Pix é uma infraestrutura pública de acesso aberto, que busca promover a concorrência e a inclusão financeira, e que não há discriminação contra empresas estrangeiras.
Além disso, o governo brasileiro reforçou que, desde janeiro de 2023, aumentou os recursos destinados ao combate ao desmatamento ilegal, ampliando operações de campo e fortalecendo o monitoramento via satélite. Vieira TAMBÉM criticou a abordagem do USTR, que, segundo ele, faz uma generalização sobre ilegalidades ambientais no Brasil, utilizando isso como justificativa para alegar prejuízos ao comércio dos EUA.
A resposta do governo brasileiro reflete sua posição em defesa de políticas públicas que visam a inclusão financeira e a concorrência saudável no mercado, além de buscar um diálogo mais construtivo sobre questões comerciais com os Estados Unidos.
